quinta-feira, 27 de junho de 2013

IDEIA - Como tratar a prevenção do uso de drogas nas escolas

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“Tive muitos amigos de escola que se perderam nas drogas. Apesar de ser nova, já vi muitos jovens usuários saírem da escola”, declarou Thifani Ohana dos Santos, de 14 anos, aluna da Escola Estadual Fadlo Haidar, em São Paulo (SP). O uso de drogas por adolescentes tem sido evidenciado em vários estudos brasileiros, que apresentam elevadas taxas. Entre estudantes, a parcela dos que usam ou usaram drogas chega a 17%, segundo o V Levantamento sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Ensino, realizado nas 27 capitais do Brasil pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID em 2012.
O estudo afirma que entre as drogas mais utilizadas estão o álcool (68,9%), o tabaco (22,7%), os solventes (10,1%), a maconha (6,6%), os ansiolíticos (3,8%), as anfetaminas (2,6%) e a cocaína (1,6%). Por isso, para a psicóloga e consultora da Área Técnica da Saúde do Adolescente e Jovem – ASAJ do Ministério da Saúde, Patrícia Castro, é importante começar um trabalho preventivo na escola tratando, primeiramente, o uso de álcool. “Quando falamos sobre drogas com um adolescente, logo vem à cabeça as drogas ilícitas. Ele não tem ideia de que, ao consumir álcool, já está usando drogas. Mesmo que o álcool seja lícito, ele é um problema sério entre os jovens, que começam a beber já por volta dos 13 e 14 anos”, afirmou.
Para tratar sobre o tema com os jovens dentro da escola, a psicóloga recomenda o uso de metodologias participativas. “Não podemos nos prender apenas às palestras. Muitas vezes, dependendo da abordagem do palestrante, o conteúdo não vai atingir os alunos”, disse. Ela recomenda que os profissionais tragam a realidade do aluno para dentro da escola. “Uma abordagem interessante é fazer pequenas oficinas, trabalhos em grupos e dinâmicas com tom de bate-papo para que os alunos tragam suas experiências para serem debatidas”, explicou.
Castro acredita que há certa hesitação dos professores em trazer o tema para a sala de aula. “Muitos deles acham que é preciso ter uma formação específica para conversar sobre isso com os estudantes. Claro que é importante eles saberem sobre o assunto, mas não necessariamente precisam ser especialistas”, disse. A prioridade, segundo a psicóloga, é não adotar uma postura de julgamento em relação aos alunos. “Isso pode impedir que o jovem se abra sobre suas dúvidas e experiências. É importante debater junto, informar e levar ao jovem uma reflexão sobre o que ele vive dentro e fora da escola.”
O que geralmente acontece nas escolas é a abordagem do tema dentro da ciência. “É importante tratar os malefícios que a droga pode trazer para a saúde, mas, mais importante ainda, é trazer metodologias preventivas. Temos que ir além, porque o adolescente sabe que a droga faz mal, mas se preocupar com a saúde é ainda uma realidade distante dele”, declarou Castro.
A adolescente Thifani Ohana dos Santos participou de um trabalho desenvolvido por um professor em sala de aula. “Ele pediu para que pesquisássemos sobre um tipo de droga e fizéssemos uma apresentação. O trabalho rendeu, mas alguns alunos não se conscientizaram de que as drogas fazem mal e acabaram abordando mais os efeitos da droga do que os malefícios para a saúde”, contou.
Projeto
Utilizando uma metodologia participativa, o projeto Escola Sem Drogas, da ONG Associação Viver Livre, já atuou em instituições públicas e privadas em todo o Brasil e chegou ao conhecimento de cerca de 100 mil alunos. Idealizado pela educadora Laila Maffra, o projeto, que já tem 22 anos, trata do tema em três frentes: alunos, pais e professores. “Acreditamos que a prevenção será efetiva a partir do momento em que se consiga atingir o universo geral em que o aluno está inserido”, disse.
A partir de  sua experiência de vida, Maffra escreveu três livros de romances para adolescentes que trazem à tona o tema. “Fui usuária de drogas na adolescência e consegui me curar. Com a experiência, escrevi as histórias com o intuito de fazer os alunos se conscientizarem de maneira paradidática. Acredito que os livros são impactantes justamente por não abordar as drogas com um viés científico, mas literário”, disse. Para ela, isso faz com que o aluno se envolva na trama e seja capaz de vivenciar os malefícios dos entorpecentes.
Depois das leituras, o projeto trata do tema com bate-papos, conversas pessoais – que podem ser feitas pela página da especialista no Facebook – e palestras educativas utilizando elementos audiovisuais. “Com os professores, oferecemos uma capacitação para direcionar o assunto em sala de aula”, completou. A Associação Viver Livre oferece, ainda, tratamentos psicológicos para os jovens e família, em se tratando de casos mais isolados de vício.
Por Luana Costa / Blog Educação

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