domingo, 4 de novembro de 2012

INTERESSANTE - UM POUCO DE CIÊNCIAS - Mas o que é Coprólito!!!


Mas o que é  Coprólito!!!:
A ideia desse post foi levantada pelo meu amigo e colega Bruno Rafael do Santos, quando eu indagava sobre o que escrever no blog.
O tema pode parecer um pouco asqueroso, mas está presente em nossa diária realidade. Por que não falar de cocô fóssil?
 

Fezes fósseis
Fezes, cocô, excremento, dejetos são termos que podem ser definidos em uma única palavra na Paleontologia: Coprólito.

Breve histórico

Coprólito foi um termo criado por Buckland enquanto descrevia alguns fósseis incomuns encontrados em folhelhos marinhos no sul da Inglaterra em 1829. Este pesquisador reconheceu os estranhos objetos fossilizados como sendo massas fecais petrificadas, que julgou produzidas por ictiossauros, um tipo de réptil marinho, cujos fósseis são muito comuns naquela região.
Apesar da nomeção de Buckland, coprólitos já haviam sido descritos muito antes na literatura. O naturalista Martin Lister encontrou dejetos fossilizados ainda em 1678, porém não conseguiu, na época, reconhecer a verdadeira natureza do material. Em 1822, Mantell  também encontrou fezes fósseis. Mesmo que houvesse reconhecido semelhanças entre a composição química desse material com a de ossos fossilizados, ele os identificou tentativamente como cones e talos de um tipo de planta desconhecida.
Depois de aproximadamente um ano da descrição de Buckland, diversos trabalhos sobre o assunto começaram a ser publicados…

Importância dos coprólitos


Karen Chin, especialista no estudo de coprólitos, e diversos tipos e tamanhos de fezes fósseis.
Apesar das fezes nos pareceram coisas repulsivas e descartáveis, elas podem fornecer informações importantes!
Coprólitos podem dar pistas sobre o comportamento alimentar de seu produtor, detalhes sobre seu hábitat, a anatomia do seu tubo digestivo, a existência de paleoparasitoses e até mesmo conter fragmentos de DNA!
Algumas vezes, quando bem preservados, é possível reconhecer a natureza da dieta de seres extintos pela forma dos coprólito e pela presença de pequenos pedaços de ossos, escamas e vegetais preservados em seu interior (Veja imagem abaixo e também AQUI). Assinaturas químicas, todavia, revelam com precisão o cardápio pré-histórico dos antigos cagões: Análises espectroscópicas ajudam a decifrar a concentração de elementos químicos como carbonato de cálcio, fosfato de cálcio e apatita. Animais com dietas carnívoras, por exemplo, têm fezes mais ricas em cálcio. Veja estes artigos AQUIAQUI e AQUI, por exemplo.

Inclusões de ossos, dentes e ?filamentos de plantas em coprólitos. Artigo disponível aqui: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0031018211004792.
Resíduos polínicos (pólen) do ambiente podem ainda ser ingeridos ou ficarem aderidos às fezes. Dessa forma, são mais facilmente preservados e a sua identificação torna possível reconstituir antigos cenários florísticos e até mesmo desvendar detalhes climáticos do passado.  Veja este estudo AQUI por exemplo.
Uma análise mais detalhada pode revelar surpresas ainda mais impressionantes. Coprólitos de Idade Pleisto-holocênica (alguns milhares de anos), por exemplo, podem conter fragmentos de DNA preservados. Se isolados, estes podem auxiliar em estudos genômicos. Veja ESTE estudo.

Preservação

Tá. Ossos podem ser mais fáceis de se preservar porque são mineralizados, mas e cocô? Como ele se preserva?

Bom, o material fecal é mais fácil de ser preservado do que parece!
Primeiramente, é produzido em maior quantidade, o que aumenta a sua chance de estar representado no registro fóssil: imagine quantas vezes um animal defeca durante a vida e no final dela, deixará apenas um punhado de ossos! Sob essa perspectiva, é muito mais fácil achar um cocô do que um osso!
Em segundo lugar, sua composição muitas vezes pode ajudar: alguns coprólitos são ricos em cálcio e isso contribui para sua preservabilidade, já outros são ricos em fibras, o que os torna mais suscetíveis a serem reincorporados ao sistema.
Em terceiro lugar, alguns aspectos químicos podem favorecer a fossilização: quando na água, o muco que recobre as fezes pode induzir trocas iônicas e acabar formando uma “capa protetora” no entorno do dejeto.
Coprólitos integram o registro fóssil por meio de rápida dessecação e/ou lenta mineralização. Quem nunca chutou um cocô seco de cachorro na rua? Se esse elemento orgânico fortemente dessecado for soterrado em local apropriado, pode – em alguns milhares de anos – virar um fóssil!
Curiosidade 1: É possível que as fezes de um animal sejam preservadas ainda dentro de seu trato digestivo. Quando isso acontece, elas são denominadas de enterólitos, não coprólitos.
Curiosiadade 2: Muitas pessoas utilizam coprólitos como adornos. Durante o processo de fossilização, minerais de cores diferentes podem ser incorporados ao tal cocô fóssil. Isso lhe rende cores inusitadas e uma beleza peculiar, basta polir.

Coprólito em secção transversal, polido.

Pingente feito de coprólito.
Curiosidade 3: Coprólitos de tubarões tem forma espiralada devido ao formato de seu intestino.
Nota de campo: Deve-se tomar muito cuidado para não confundir coprólitos com simples concreções! Algumas concreções tem aparências sugestivas… Lembre-se, todavia, que alguns coprólitos podem estar preservados dentro das mesmas, não custa checar!

Alguns estudos de caso

Exisitem inúmeros trabalhos publicados que tratam de coprólitos. Já citamos alguns, mas vamos listar outros de forma mais ilustrada:
A figura abaixo apresenta coprólitos de diversos tipos de vertebrados (herbívoros, onívoros e carnívoros) encontrados na Formação Cerro del Perro, Cretáceo Tardio do México. Como já mencionamos, nem sempre é pela morfologia do coprólito que identificamos o tipo de animal que o produziu. Nesse caso, estudos químicos ajudaram a determinar o tipo de dieta do animal produtor (Veja o artigo AQUI).
 
Existem alguns coprólitos muito pequenos, como os de peixes da Formação Withemud, Canadá. O tamanho, todavia, não diminui a sua importância: Micro-restos fossilizados foram encontrados em seu interior (pedaços de ossos, conchas e plantas), ajudando a identificar a estrutura de cadeias alimentares carboníferas (mais de 320 milhões de anos atrás) (Veja o artigo AQUI).

Coprólitos de peixes com não mais que 6 cm de comprimento, Formação Withmud, Canadá
No Brasil, um local onde os coprólitos são e já foram bastante estudados é a Bacia do Araripesituada nos estados do Ceará, Pernambuco e Piauí -,  onde são encontrados dentro de nódulos calcários, assim como os peixes fósseis da região. Tais coprólitos são interpretados como como produzidos por peixes, uma vez que é comum ocorrerem associado a eles.

Coprólitos em nódulo calcário na bacia do Araripe, Cretáceo.
Não só a Paleontologia estuda as fezes fósseis de animais, como também a Arqueologia se preocupa com o estudo de dejetos fósseis humanos. Por meio deles, além de se desvendar hábitos alimentares de nossos ancestrais, pesquisadores procuram descobrir quais parasitas afetavam a saúde humana pré-histórica (Veja este artigo sobre paleoparasitologia no Brasil: http://www.scielo.br/pdf/csc/v7n1/a18v07n1.pdf).

Fezes humanas fossilizadas. Idade: Mais de 15.000 anos.
Novidade: Essa semana foi publicado mais um estudo sobre coprólitos brasileiros. Paula Dias e colaboradores descreveram na revista “Journal of South American Sciences” uma concentração excepcional de coprólitos de vertebrados na na Formação Rio do Rasto, sul do Brasil. Por meio da morfologia dos mesmos, ela pode reconhecer que uma variedade maior de vertebrados do que se conhece por meio de fósseis corporais estava presente na região há mais de 250 milhões de anos. Veja o artigo AQUI.

Alguns coprólitos do recém-publicado estudo da Fm. Rio do Rasto.
Além dos estudos citados, inúmeros outros trabalhos são publicados anualmente relatando achados pelo mundo afora (Haja cocô fóssil!). Muitos deles são excepcionalmente curiosos. Faça uma busca!
Concluindo, pisar em um cocô fóssil não deve ser muito ruim, afinal. Prestem atenção nas suas caminhadas por aí! ;)
Referências:
Thulborn, R. A. Morphology, preservation e paleobilogical sgnificance of dinosaur coprólites.1991. Paleogeography, Paleoclimatology, Paleoecology, v.83, pp. 341-366.
Reinhard, K.J.; Jr, V.M.B. Coprolite Analysis:A Biological perspective on Archaeology. 1992. University of Nebraska – Lincoln, pp. 244-287.
Lima, R.J.C.; Freire, P.T.C.; Sasaki, J.M.; Saraiva, A.A.F.; Lanfredi, S.; Nobre, M.A.L. 2007. Estudo de Coprólito da Bacia Sedimentar do Araripe por Meios de Espectroscopia FT-IR e Difração de Raios-X.Quim. Nova, v.30, n.8, pp. 1956-1958.
Rosa, R.A.R.; Cevallos-Ferriz, R.S.R.; Pineda, A.S. 1998. Paleobiological implications of Campanian coprolites. Paleogeography, Paleoclimatology, Paleoecology, v.149, pp. 231-254.

sábado, 3 de novembro de 2012

DICA DA NATAL - Presépio feito com rolos de papel: Reciclagem com charme e linda atividade de Natal!

 http://espacoeducar-liza.blogspot.com/
Presépio feito com rolos de papel: Reciclagem com charme e linda atividade de Natal!: Lindo este presépio: as personagens são feitas reutilizando rolos de papel higiênico. Um charme e uma excelente sugestão de reciclagem durante as atividades de Natal, para os pequeninos!



Você só precisará de rolinhos de papel e papéis coloridos, muita imaginação! Se desejar pode utilizar moldes diversos de desenhos de Natal. Posto alguns abaixo, que podem servir

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA - Palestra sobre Sexualidade

 http://emisaasalves.blogspot.com/
Palestra sobre Sexualidade: A Turma do ReAlfa participou de Palestra Sobre Sexualidade.

Mais uma parceria com o Programa Saúde nas Escolas.


SAÚDE PRESENTE NO EDI PROFª BEATRIZ



A equipe  de Saúde na Escola que atende ao EDI PROFª BEATRIZ realizou uma ação conjunta com a equipe de odontologia, onde foi abordada com as crianças a importância da escovação dental após as alimentações bem como uso de fio dental, sendo realizada no local escovação supervisionada, com auxilio dos dentistas e auxiliares de saúde bucal e os ACS da equipe L3, no qual todas as crianças  foram atendidas e receberam os kits de higiene oral, foram distribuídos num total de  207 kits.  Ação realizada no dia 17 de setembro.






 PSE - SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA


SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA MUNICIPAL OTÁVIO KELLY



No dia  16/10/2012, a Equipe Mercúrio do CMS. Dr. Nascimento Gurgel realizou uma Ação Escolar sobre o tema: Pediculose.
O tema foi trabalhado por meio de orientação, dinâmica e distribuição de exercícios de fixação, atingindo um grupo de 250 crianças. Em cada sala de aula o tema foi abordado de forma clara, possibilitando a participação das crianças e abertura para dúvidas e curiosidades.
A ação foi realizada na Escola Municipal Otávio Kelly, no dois turnos (manhã e tarde). Profissionais participantes:  EnfªDenize Soares, EnfªElke Teixeira, Acs: Nathália Castro e Acs: Nathalia Rangel.
 Participação intensa da garotada!!  Não deixaram escapar a oportunidade.


PSE - SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA

Computador, digitação, L.E.R e Síndrome do Túnel do Carpo

 http://www.blogdasaude.com.br/
Computador, digitação, L.E.R e Síndrome do Túnel do Carpo:
O estilo de vida na frente do monitor trouxe muitos problemas de saúde ligados aos movimentos repetitivos. A digitação compulsiva por horas em uma postura inadequada pode causar problemas conhecidos como L.E.R (Lesões por Esforços de Repetição) e Síndrome do Túnel do Carpo.
Médicos ainda têm dificuldade em estabelecer o L.E.R em digitadores, porque outros fatores podem desencadear esse problema. Um estudo do Hospital das Clínicas com um grupo de pacientes demonstrou que apenas 17% dos digitadores afastados de sua função tinham um diagnóstico bem definido. A maior parte apresentava quadros de neuropatias compressivas, principalmente da síndrome do túnel do carpo.
Síndrome do Túnel do Carpo – Flexionar demais o punho provoca um aumento da pressão dentro de um canalzinho ali existente. Portanto, se a pessoa fica muitas horas com o punho fletido, pode desencadear uma compressão do nervo mediano. Além disso, há fatores predisponentes para essa patologia, como é o caso dos diabéticos, indivíduos com hipotireoidismo e em certos grupos familiares.
  • Sintomas: dor no punho, na mão e formigamento nos dedos, principalmente durante a execução de algumas atividades manuais. Outro sintoma característico é acordar no meio da noite com a mão formigando, porque se repetiu a postura de flexão do punho durante o sono. Além disso, pela falta de movimentação dos dedos, pode formar-se um edema, isto é, um acúmulo de líquido dentro do canal, o que aumenta a compressão do nervo.
Como reconhecer o L.E.R
Os sintomas mais frequentes são dores nos membros superiores, nos dedos, dificuldade para movimentá-los e formigamento. Na maioria das vezes, esses sintomas estão relacionados a uma atividade inadequada não só dos membros superiores, mas de todo o corpo.
Voltando no tempo dos datilógrafos
O ritmo de vida diferente e o teclado mais duro podem explicar porque naquela época não era comum esses tipos de lesões. As dores nos membros superiores, região dos ombros e pescoço, estão ligadas à tensão e à contração muscular exagerada. É o preço do estresse, da correria, da má qualidade de vida.
Preste atenção na postura, altura dos olhos em relação à tela, posição dos joelhos, pés e mãos.
Informações da entrevista com o Dr. Rames Mattar, professor de Ortopedia da Universidade São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão, feita pelo Dr. Drauzio Varella.
Se você reconheceu alguns dos sintomas citados, procure um médico.

SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA MUNICIPAL TELÊMACO GONÇALVES MAIA

O tema foi discutido através de exposição de álbum seriado, distribuição de livretes explicativos, folders e palestra para pequenos grupos de alunos. Os alunos mostraram-se interessados pelo assunto e à vontade para fazer perguntas, tirando dúvidas a respeito do tema.






PSE - SAÚDE PRESENTE NA ESCOLA

E. M. ISAIAS ALVES - Projeto Fazendo Novas Amizades

 http://emisaasalves.blogspot.com/
Parabéns pelo projeto que estimula novos relacionamentos e mais saudáveis.
Projeto Fazendo Novas Amizades:
Projeto desenvolvido pela professora Jo (Sala de leitura) com os alunos do 4º ano.
Neste Projeto os alunos trocavam cartas semanalmente com seus amigos comentando sobre os livros que liam na sala de leitura.

Foi muito proveitoso e divertido.


ENCONTRO MARCADO - SAÚDE EDUCAÇÃO

Síndrome do pânico

 http://drauziovarella.com.br/
Síndrome do pânico:
A síndrome do pânico, na linguagem psiquiátrica chamada de transtorno do pânico, é uma enfermidade que se caracteriza por crises absolutamente inesperadas de medo e desespero. A pessoa tem a impressão de que vai morrer naquele momento de um ataque cardíaco, porque o coração dispara, sente falta de ar e tem sudorese abundante.
Quem padece de síndrome do pânico sofre durante as crises e ainda mais nos intervalos entre uma e outra, pois não faz a menor ideia de quando elas ocorrerão novamente, se dali a cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Isso traz tamanha insegurança que a qualidade de vida do paciente fica seriamente comprometida.
ANSIEDADE NORMAL E ANSIEDADE PATOLÓGICA
Drauzio – Que diferença existe entre ansiedade normal e a que caracteriza a síndrome do pânico?
Márcio Bernik – Ansiedade é um estado emocional normal. Uma das características do sucesso da espécie humana é a capacidade de antecipar o perigo, o que requer uma preparação geradora de ansiedade. A ansiedade é patológica, quando deixa de ser útil e passa a causar sofrimento excessivo ou prejuízo para o desempenho da pessoa. O transtorno do pânico é uma das formas de manifestação da ansiedade patológica.
Drauzio – No dia a dia, quando as pessoas dizem que estão ansiosas a que exatamente estão se referindo?
Márcio Bernik - Provavelmente se referem a um estado emocional normal, um tipo de ansiedade que as faz ficar acordadas até mais tarde na véspera de uma prova ou de uma entrevista para um emprego novo. É a ansiedade que nos permite, apesar do cansaço, jogar bola até o final do segundo tempo sem deitar e dar um cochilo no campo.
A ansiedade advinda da preocupação de que alguma coisa possa dar errado é útil dentro do contexto apropriado. Por isso, quando as pessoas se dizem ansiosas, estão mesmo, e isso pode não representar inconveniente maior.
A ansiedade patológica é desproporcional ao contexto. As sensações que o paciente com transtorno do pânico experimenta nas crises podem ser absolutamente normais e apropriadas se a pessoa estiver dentro de um prédio pegando fogo, com a diferença de que, nesse momento, sua atenção estará voltada para a própria sobrevivência e ela não dará importância às manifestações de taquicardia, sudorese e falta de ar que se instalaram.
SINTOMAS DO TRANSTORNO DO PÂNICO
Drauzio – Os sintomas que o transtorno do pânico provoca são semelhantes ao da ansiedade normal, apenas mais intensos, ou são diferentes?
Márcio Bernik – Os sintomas são relativamente similares. As sensações físicas da ansiedade são uma reação normal, por exemplo, caso a pessoa tenha fobia de lagartixa ou de falar em público e se veja diante de uma dessas situações. O que caracteriza o pânico é a forma abrupta e inesperada que os sintomas aparecem e o fato de a crise atingir o ápice em dez minutos. Na verdade, bastam 30 segundos para o paciente, que estava se sentindo bem, ser tomado inexplicavelmente por sintomas que, de certa forma, todos conhecemos: boca seca, tremores, taquicardia, falta de ar, mal-estar na barriga ou no peito, sufocamento, tonturas. Muitas vezes, tudo isso vem acompanhado da sensação de que algo trágico, como morte súbita ou enlouquecimento, está por acontecer. Nesses casos, é comum a pessoa ter uma reação comportamental de pânico e sair à procura de socorro. Aliás, a sala de espera dos prontos-socorros é um dos lugares onde o médico mais se depara com transtornos de pânico.
Drauzio – Nessa hora a sensação é terrível. Muitos acham que realmente vão morrer, não é?
Márcio Bernik – No episódio de pânico, a sensação de morte iminente provocada por um problema cardíaco tem duas explicações: a rapidez e a forma inesperada com que a crise acontece. A ansiedade normal tende a ocorrer em ondas, não em picos intensos. Mesmo o pânico que as pessoas sentem numa montanha-russa extremamente radical pode ser até agradável se estiver dentro de um contexto compreensível. Entretanto, a reação será muito diferente, se ele vier do out of the blue, como dizem os americanos, ou do azul do céu, como dizemos nós.
ANSIEDADE ANTECIPATÓRIA E AGORAFOBIA
Drauzio – Quais são os gatilhos mais frequentes para as crises do transtorno de pânico? Por que uma pessoa passa 30 anos sem ter nada e um dia, por ter ficado fechada dentro de um elevador quebrado, começa a manifestar o problema em situações que nada tem a ver com esse fato? 
Márcio Bernik – O transtorno de pânico é uma doença que se manifesta especialmente em jovens e acomete mais as mulheres do que os homens. A maioria dos pacientes tem a primeira crise entre 15 e 20 anos desencadeada sem motivo aparente.
Com o passar do tempo, as crises vão se repetindo de maneira aleatória. Não prever quando podem surgir novamente gera uma ansiedade chamada de antecipatória. A pessoa fica preocupada com o fato de que os sintomas possam aparecer numa situação para a qual não encontre saída nem ajuda, como dentro de elevadores, metrô, aviões, salas de espera de médicos e dentistas, congestionamentos de trânsito. Se reagir de forma a evitar esses lugares a partir dessa experiência, desenvolverá uma segunda doença, a agorafobia, um quadro fóbico provocado pelo pânico não tratado, que se caracteriza por fugir de situações nas quais uma crise de pânico possa representar perigo, causar embaraço ou a sensação de estar presa numa armadilha. Geralmente os pacientes com pânico sofrem mais pela agorafobia do que pelo pânico em si. É o medo do medo.
Drauzio – Isso não seria de certo modo inevitável?
Márcio Bernik – Não é inevitável. É raro, mas algumas pessoas com personalidade mais robusta, mesmo com crises frequentes, não desenvolvem agorafobia. Outras, depois de duas ou três crises, praticamente ficam presas ao lar. Nos casos mais graves, o paciente não consegue sair de casa sozinho. É importante registrar que a maioria das pessoas rapidamente desenvolve algum grau de limitação. Em geral, só conseguem ir trabalhar, se puderem percorrer o mesmo caminho. Pegar um avião ou uma estrada congestionada num feriado é hipótese fora de cogitação.
Outra característica importante da agorafobia é que, uma vez estabelecida, não constitui uma fase passageira da doença e não cura sozinha. Além disso, as crises não desaparecem com a idade. Começam quando a pessoa é jovem e se manifestam até a idade madura.
Até pouco tempo atrás, as crises de transtorno do pânico eram atribuídas ao nervosismo ou desequilíbrio psicológico. Nos prontos-socorros, recebiam o diagnóstico de peripaque ou distúrbio neurovegetativo, uma maneira mais ou menos pejorativa de os médicos dizerem que o paciente não tinha nada, embora estivesse apresentando um episódio patológico de origem cerebral.
FENÔMENO FÍSICO E PSICOLÓGICO
Drauzio – Qual a participação do sistema nervoso central na crise do pânico?
Márcio Bernik – Nada é puramente psicológico, porque os fenômenos psicológicos passam pelo cérebro. As estruturas que deflagram o pânico num indivíduo são as mesmas que existem em todos nós para desencadear uma reação de fuga e luta numa situação de emergência.
Ao longo da evolução da espécie humana, o cérebro humano desenvolveu sistemas fundamentais para responder a perigos próximos ou distantes que levem à destruição imediata do organismo. O pânico resulta da hiperatividade desse sistema cerebral, que foi desenhado para produzir respostas imediatas ao perigo iminente.
EVOLUÇÃO DA DOENÇA
Drauzio – Como costumam evoluir os casos não tratados de transtorno do pânico?
Márcio Bernik – O transtorno do pânico tem um curso bastante característico. O paciente típico é uma mulher (o quadro é duas a quatro vezes mais frequente nelas), mas a doença também pode ocorrer com evolução e sintomas idênticos nos homens. Atribui-se essa frequência maior no sexo feminino à sensibilização das estruturas cerebrais pela flutuação hormonal, visto que a incidência de pânico aumenta no período fértil da vida.
Geralmente, depois da primeira crise, ocorrem outras – duas a quatro por semana – que vêm e passam. A partir de então, num período que se estende de um até cinco anos, uma série de consequências começa a manifestar-se. A pessoa tranquila de antes torna-se tensa por dois motivos especiais: a expectativa da próxima e inesperada crise e, paradoxalmente, porque a tensão protege contra o pânico. Se antes possuía uma personalidade relaxada e autoconfiante, fica insegura e leva uma vida mais restrita por causa da agorafobia que se instalou. A longo prazo, 60% dos pacientes com pânico apresentam depressão e 12% tentam suicídio.
Existe também uma associação entre transtorno do pânico e alcoolismo secundário como forma de autotratamento contra a ansiedade. 
TRATAMENTO
Drauzio – Como você orienta o tratamento de uma pessoa que diz ter crises de pânico em determinadas situações?
Márcio Bernik – O pânico pode indicar um problema primário próprio do transtorno de pânico ou ser a manifestação secundária do uso exagerado de medicamentos que podem provocar crises de pânico em pessoas propensas, como os corticoides e a maioria das anfetaminas, no Brasil, largamente usados por mulheres jovens que querem emagrecer. É preciso pesquisar também o uso de psico-estimulantes, como a cocaína e o ecstasy, uma anfetamina halogenada de ação serotonérgica extremamente rápida. Portanto, é fundamental verificar se o quadro de pânico é secundário a outras patologias. O hipertireoidismo, por exemplo, pode provocar sintomas muito parecidos com os das crises de pânico.
Uma vez afastadas essas possibilidades, é relativamente simples firmar o diagnóstico clínico do transtorno de pânico. Os sintomas são muito claros. Deve-se, ainda, tentar fazer uma análise funcional para estabelecer as limitações que a doença acarretou a fim de estimular uma melhora na qualidade de vida do paciente.
Drauzio – O tratamento implica uma parte medicamentosa e outra comportamental. Qual é a orientação que se deve dar aos doentes?
Márcio Bernik – O que se sabe hoje é que a técnica de combinar medicamentos e terapia comportamental é mais eficiente, pois é muito penoso para o paciente adotar um programa comportamental baseado na exposição a situações que provocam pânico, sistematicamente, de forma gradual e progressiva, até que ocorra a dessensibilização.
A terapia de exposição baseia-se na capacidade de o ser humano habituar-se ao estresse. É como se assistisse a um filme de terror 15 vezes. Na primeira vez, os cabelos ficam em pé. Na segunda, como já sabe o que vai rolar e que vai espirrar sangue no teto, a reação é menos intensa. Na última, o filme não desperta mais nenhuma resposta emocional. Todavia, os pacientes aceitam melhor o tratamento e melhoram mais depressa se simultaneamente tomarem antidepressivos, medicação que se torna obrigatória para os 60% daqueles que têm depressão associada ao pânico.
DURAÇÃO DO TRATAMENTO
Drauzio – O tratamento deve ser mantido por quanto tempo?
Márcio Bernik – O tratamento deve ser mantido por seis meses no mínimo e idealmente por um ano. A melhora costuma ocorrer entre duas e quatro semanas, mas parece que as alterações biológicas demoram meses para desaparecer. Desse modo, se o tratamento for interrompido nos primeiros sinais de melhora, 80% dos pacientes vão sofrer recidiva em quatro a seis semanas.
Drauzio – O tratamento leva de duas a três semanas para começar a surtir resultados e os medicamentos dão alguns efeitos colaterais. Essas duas razões podem levar o paciente a abandonar o tratamento?
Márcio Bernik - Mesmo que o médico inspire confiança e haja ótimo relacionamento entre ele e o paciente, um a cada três abandona o tratamento porque, numa equação infeliz, os efeitos colaterais aparecem no primeiro dia e a melhora, só duas ou três semanas depois. Há ainda a agravante de que as crises de pânico pioram nas primeiras 48 horas do tratamento com remédios.
Drauzio – Há pacientes que precisam tomar remédio a vida inteira como acontece em certos casos de depressão?
Márcio Bernik – Procuro manter meus pacientes tomando remédio pelo menos por um ano, o tempo ideal para evitar uma recidiva precoce.
O pânico é mais recidivante do que a depressão. No entanto, o remédio que funcionou na primeira crise vai funcionar nas outras. De qualquer forma, é importante alertar os pacientes de que, em 80% dos casos, as crises podem voltar. Mas, se voltarem, os medicamentos serão os mesmos, porque não induzem tolerância.
TERAPIAS ALTERNATIVAS
Drauzio – Terapias alternativas como meditação e ioga fazem algum efeito? 
Márcio Bernik - Sou fã dessas duas que você mencionou nem tanto para o pânico que, às vezes, é uma doença biológica. No entanto, para os problemas de ansiedade e para as pessoas que manifestam preocupação excessiva chamada de ansiedade generalizada, atividades contemplativas como a meditação e ioga ajudam a assumir uma atitude menos agressiva perante o mundo, menos carregada de espírito competitivo, ou seja, auxiliam a desenvolver um comportamento oposto ao que as empresas preconizam.
Terapias alternativas que incluem remédios como o Hipericum ou à base de flores não têm sua eficácia comprovada e, aparentemente, funcionam como placebos. No caso específico do Hipericum, há relatos de hemorragia por causa de sua propriedade anticoagulante. O fato de ser uma erva não quer dizer que não faça mal.
Drauzio – É sempre bom lembrar que muitos dos piores venenos que conhecemos vêm de ervas. 
ATIVIDADE FÍSICA  
Drauzio Qual é o papel do exercício físico nos transtornos de pânico?
Márcio Bernik - Além de fazer bem para todo o mundo porque é excelente para o condicionamento cardiovascular, o exercício físico provoca algumas sensações semelhantes às da síndrome do pânico. É impossível fazer um exercício físico vigoroso sem sentir taquicardia, sudorese, perna bamba. Por isso, não se pode diagnosticar transtorno de pânico se os sintomas ocorrerem após atividade física extenuante.
Entretanto, experimentar essas sensações de pânico num contexto agradável, por exemplo, numa partida de vôlei ou num jogo de futebol, ajuda no processo de dessensibilização. Assim, se não houver contraindicações, exercícios físicos mais vigorosos representam uma forma de terapia de exposição às sensações internas que o pânico causa.
REAÇÃO DA FAMÍLIA
Drauzio – Como a família deve portar-se diante de um portador do transtorno de pânico?
Márcio Bernik – O pânico, como todas as doenças psiquiátricas, não dá pintas vermelhas na cara como o sarampo nem 39º C de febre. Por isso, é muito comum a família entendê-lo como uma forma de fraqueza moral e de falta de personalidade e reagir da seguinte maneira: “Eu também não gosto de trânsito, mas vou trabalhar todos os dias”.
Por isso, é de importância fundamental a conscientização da família. Grupos de auto-ajuda, livros sobre o assunto ou mesmo a internet podem ser úteis para que os familiares entendam a natureza da doença. O mal-estar que o paciente experimenta num congestionamento é muito diferente do desconforto que qualquer um de nós possa sentir. Por outro lado, o excesso de compreensão pode favorecer a esquiva fóbica, e a pessoa não sai mais de casa nem para ir à padaria. Na verdade, a agorafobia cresce com os bons cuidados. A família deve incentivar a atividade do doente. “Eu sei que você não se sente bem, mas é importante continuar indo à escola”, ou “Se você conseguisse ir ao clube, ir trabalhar e não pedisse demissão seria melhor para sua autoestima” são estímulos importantes para os pacientes com síndrome do pânico.
Repouso é bom para gripe. Para doenças crônicas como depressão e pânico que muitas vezes a pessoa carrega pela vida afora, o pior é ficar em casa repousando. O certo é levar vida o mais normal possível apesar das dificuldades.
DROGAS
Drauzio – Qual o papel da maconha nos pacientes com transtorno do pânico?
Márcio Bernik – Um dos mecanismos de ação da maconha é o estímulo serotonérgico, também provocado pelo LSD, uma droga alucinógena ligada às crises de pânico. Não há quem não tenha ouvido falar em bad trip, a viagem sem volta, caracterizado por um mal-estar intenso que pode levar ao suicídio.
Embora haja relatos de que a maconha é relaxante, dá sono e fome, está demonstrado que pode desencadear crises de pânico em pessoas predispostas. Por isso, pacientes com transtorno de pânico não devem fumar maconha. 

DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA - 5 DE NOVEMBRO - 50 ATIVIDADES EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR

 http://www.atividadesedesenhos.com/
DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA 50 ATIVIDADES EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR: Atividades e desenhos – Dia da Língua Portuguesa – 05 de novembro




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Desenhos objetos escrever letras palavras sílabas alfabeto




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Pontuação - Exercícios

DICAS - 15 DE NOVEMBRO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ATIVIDADES EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR I

 http://www.atividadesedesenhos.com/
15 DE NOVEMBRO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA ATIVIDADES EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR I: Atividades e desenhos – Proclamação da República - 15 de novembro




História do Brasil texto Proclamação da República




Cruzadas




Marechal Deodoro desenho pintar colorir




Exercícios Questionário




Montar a Bandeira do Brasil




Língua Portuguesa - Interpretação de texto




Bandeira Nacional - Armas Nacionais - Selo Nacional - Hino Nacional




Armas Nacionais - Selo Nacional

DICAS - 70 ATIVIDADES 15 DE NOVEMBRO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR

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70 ATIVIDADES 15 DE NOVEMBRO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA EXERCÍCIOS DESENHOS COLORIR PINTAR IMPRIMIR: Atividades e desenhos – Proclamação da República - 15 de novembro




Alfabetização - Circule as letras do seu nome




Hino da Proclamação da República texto leitura




Mapa do Brasil




Caça-Palavras




Enigma escrever letras palavras sílabas alfabetização




Marechal Deodoro da Fonseca desenhos colorir




Soldados iguais encontrar colorir




 Proclamação da República interpretação de

Hospital Municipal da Piedade realiza IV Jornada de Pediatria

FONTE: PCRJ/SMSDC
Pediatras, residentes e acadêmicos de medicina do último ano podem se inscrever na IV Jornada de Pediatria do Hospital Municipal de Piedade, que acontece na quarta-feira, dia 7 de novembro, das 8h30 às 16h30. O evento reúne profissionais de saúde para debater temas importantes no âmbito pediátrico.

Distúrbios de crescimento, tuberculose em crianças e adolescentes, alergia alimentar, crianças cardiopatas, cirurgia pediátricas, cefaleia e asma são assuntos que estarão entre as discussões. Durante todo o dia, pediatras e futuros profissionais poderão trocar suas experiências e adquirir novos conhecimentos.  

A atividade acontece no auditório do HMP, que fica na Rua da Capela, 96. As vagas são limitadas e os interessados devem se inscrever pelo e-mail hmp.pediatria@gmail.com.

FIQUE ATENTO - Privação de sono

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Privação de sono:

Hospital das Clínicas de São Paulo lança programa para ajudar pessoas a montar um prato saudável...

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Hospital das Clínicas de São Paulo lança programa para ajudar pessoas a montar um prato saudável...:

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), junto ao Instituto do Coração (Incor), lançou nesta quarta-feira um programa para incentivar os brasileiros a fazer escolhas mais saudáveis na hora das refeições. O Meu prato saudável, como foi chamada a iniciativa, é um guia alimentar que fornece informações como sobre qual deve ser a quantidade de cada tipo de alimento no prato e quais são as melhores opções de ingredientes em cada refeição do dia.
A campanha reforça que, nas principais refeições do dia, metade do prato deve ser composta por vegetais, folhas e legumes; um quarto, de carboidratos; e um quarto seja dividido entre proteína animal e vegetal. E para beber, preferencialmente água ou suco de fruta fresca. Para auxiliar as pessoas a montarem um prato seguindo essas recomendações e da forma mais saudável possível, há informação tanto no site da campanha quanto nos aplicativos para celulares e páginas nas redes sociais. Nessas páginas, os alimentos que compõem a pirâmide alimentar e o espaço que devem ocupar no prato são mostrados de forma visual com fotos dos mais diversos alimentos que são comuns à culinária brasileira. 
Junto com o programa, também foi lançado o Meu Pratinho Saudável, destinado às crianças menores de que 12 anos e que deve ser adaptado pelas escolas da Secretaria Estadual da Educação.
O Meu Prato Saudável lembra o programa americano My Plate, lançado em 2011 pelo governo dos Estados Unidos. Porém, ao contrário do programa brasileiro, que faz uso de fotos de alimentos comuns da culinária do país nos gráficos, o programa se baseia em cores que representam cada classe de alimentos. O My Plate, porém, não é o único guia alimentar norte-americano — há um ano, a Universidade de Harvard lançou um guia visual com a finalidade de substituir a tradicional pirâmide alimentar.

Trabalho em rede é alternativa para difundir o consumo consciente do álcool entre jovens

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Trabalho em rede é alternativa para difundir o consumo consciente do álcool entre jovens:
Como difundir e entender as limitações relacionadas ao consumo do álcool, para que seu uso não se torne nocivo, sobretudo entre jovens, é o objetivo de iniciativas de conscientização promovidas pela sociedade civil, em parceria com a iniciativa privada.  “O problema do consumo de bebidas alcoólicas por menores de idade é uma realidade que precisa ser enfrentada pelos diferentes agentes da sociedade”, ressalta João Castro Neves, presidente da Ambev (Companhia de Bebidas das Américas), salientando o caráter multidisciplinar do desafio.
A articulação entre o governo, na figura dos seus entes federados, a sociedade civil organizada, representada por suas organizações e comunidades, e a presença do setor privado, no caso, tanto a indústria quanto o comércio, é um dos modelos de coalizão em prol do consumo responsável.
“Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde, órgão internacional que trata e discute o assunto], o setor econômico tem um papel fundamental a cumprir na solução do problema”, lembra Milton Seligman, vice-presidente de relações corporativas da Ambev, durante a realização do II Seminário de Prevenção ao Uso do Álcool. O evento reuniu especialistas e acadêmicos, além de 18 organizações não-governamentais vinculadas ao projeto “Jovens de Responsa”, voltado à prevenção do uso de bebidas alcoólicas por jovens menores de 18 anos.
Rede
A formação de uma rede organizada em torno da conscientização requer o alinhamento dos envolvidos nas diretrizes e objetivos almejados. Norteados pelas premissas da OMS, os pilares do consumo responsável são alertar sobre os riscos de beber e dirigir e estimular o cumprimento da lei que proíbe a venda de bebidas alcoólicas a menores.
“Para alcançar uma efetiva atenção seja do jovem ou da família, precisamos de uma ação política integral, que envolva os sujeitos em diferentes instâncias. A solução é adotarmos programas simultâneos, enlaçados, como o Saúde da Família, a Cidade Educadora e Educação Integral”, defende a doutora em serviço social, Maria do Carmo Brant de Carvalho. Ela argumenta que, além de multidisciplinar, é importante ter uma atuação transdisciplinar e multissetorial, capaz de uma comunicar e articular para a incidência político-social desejada.
Solidariedade

A psicóloga e educadora Rosely Sayão toca num ponto importante: “Sem solidariedade, a família não forma uma rede com a escola. Elas estão numa luta acirrada. A parceria escola e família no Brasil é um fantasma que nunca existiu”, avalia.
Ao mesmo tempo, ela também nota que “nós, adultos, conspiramos para que a juventude nunca amadureça. Meu cabelo branco é um ato político: alguém nesse país precisa assumir que envelhece”, afirma. Ela defende que falta aos adultos de hoje assumirem o seu lugar, para que os jovens possam de fato amadurecer e constituir sua autonomia.
Acrescente-se a esse contexto uma “moralização da saúde”, diz a educadora, pelo qual se estipulam quais devem ser os cuidados consigo, justificados pelos discursos e avanços da ciência. Segundo Roseli, “liberdade pressupõe escolhas. Qual é a autonomia que o jovem tem hoje, se existem sempre várias instituições e meios de comunicação dizendo até quais são as maneiras de se divertir numa festa, por exemplo?”
A política de proibição às drogas, acrescenta ela, só restringe mais o desenvolvimento reflexivo do jovem quanto ao assunto. “Neste contexto, resta a ele a transgressão da regra, algo por sinal característico desta fase da vida. Não resta a ele o conhecimento, a reflexão”, conclui.
Comunicação
Para o jornalista Gilberto Dimenstein, a comunicação tem um importante papel a cumprir ao contribuir para a transformação das mentalidades. No caso do consumo consciente, ele também defende uma coalizão entre os diferentes agentes comunitários. “É necessário instrumentalizar o jovem para que ele se torne um bom comunicador, fazendo um bom uso da palavra, agindo diretamente na transformação das mentalidades”, afirmou.