Atividades para o natal:
Algumas atividades para o natal, envolvendo: coordenação motora, raciocínio lógico, percepção visual, concentração, e números.
O percentual de crianças negras de 7 a 14 anos que estão mais de dois anos atrasadas na escola é o dobro do registrado entre as brancas. Enquanto 16,7% dos alunos negros estão nessa situação, entre os brancos, o índice é de apenas 8%. Os dados compilados pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets) são referentes a 2009 e reforçam a tese de que as desigualdades entre negros e brancos se repetem no ambiente escolar.
O fator socioeconômico geralmente é o mais usado para justificar o atraso escolar dos estudantes negros. Isso porque a condição social do aluno tem grande impacto na aprendizagem e a maioria da população de baixa renda do país é negra. Mesmo quando são considerados alunos de um mesmo nível econômico, os não negros têm desempenho superior aos negros.
É o que aponta um levantamento feito pelo economista Ernesto Faria, do Portal Estudando Educação. Comparando as notas de Matemática e Português da Prova Brasil de 2007, alunos de uma mesma faixa de renda e cor da pele diferentes também têm notas desiguais. Entre os 25% de estudantes mais pobres do 5° ano do ensino fundamental, a nota dos brancos é, em média, oito pontos superior nas duas disciplinas. Entre os 25% mais ricos, a distância é ainda maior: os alunos brancos atingem 24 pontos a mais em Português e 25 a mais em Matemática.
Para André Lázaro, especialista na temática de diversidade em educação, uma das explicações para esse resultado é que, em geral, os alunos negros frequentam escolas com pior infraestrutura em comparação aos não negros. Essa situação foi revelada pelo Relatório das Desigualdades Raciais, lançado este ano pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em todas as etapas de ensino, os negros enfrentam piores condições que os brancos.
Enquanto 9,6% dos alunos brancos do 9° ano do ensino fundamental frequentam escolas com nenhuma adequação, entre os negros, o índice é de 12,9%. Já no 5° ano, 27,9% dos brancos frequentam escolas com estrutura exemplar – entre os negros, o patamar é de 22%.
“Além da questão estrutural das escolas, não tenho dúvida de que a dimensão cultural é fortemente explicativa do resultado escolar. O racismo tem um impacto muito forte na educação. Os modelos e exemplos educacionais dos livros didáticos, por exemplo, ignoram a dimensão da cultura negra e com isso você tem uma escola em que o negro não se vê”, destaca Lázaro, que foi secretário de Diversidade do Ministério da Educação (MEC) e hoje é consultor da Organização dos Estados Ibero Americanos (OEI).
Um dos autores do Relatório das Desigualdades, o professor Marcelo Paixão avalia que a discriminação existente no ambiente escolar acaba por agravar as diferenças entre negros e brancos. “O espaço escolar deveria ser de formação de cidadania – quando isso não é feito de maneira crítica ele se torna um instrumento de perpetuação das assimetrias”, diz.
Para a diretora de Educação no Campo e Diversidade do MEC, Vanessa Faria, tais resultados são reflexo da própria dificuldade da sociedade em reconhecer que existe racismo no país – situação que se repete no ambiente escolar. Em questionário aplicado em 2007 aos estudantes que participaram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), menos de 3% se consideravam racistas, mas 60% disseram já ter presenciado uma situação de discriminação pela cor da pele e 30% afirmaram ter parentes racistas.
“A escola reflete o que acontece na sociedade. Por anos acreditou-se no Brasil que não existia o racismo, e fica difícil superar um problema quando ele é negado”, ressalta Vanessa. Para ela, a diferença de escolarização entre negros e brancos tem diminuído nos últimos anos, e a escola está mais aberta para o debate. “Nunca se falou tanto na questão da igualdade racial, mas este é um processo em construção. Os anos de estudo da população negra crescem em ritmo maior do que entre os brancos”, afirmou.
Em diferentes listas sobre as pessoas mais inovadoras do mundo, aparece o engenheiro Salman Khan, que há pouco tempo ganhava a vida no mercado financeiro até que, por acaso, descobriu um talento.
Estive, na semana passada, com Salman Khan, ex-aluno de Harvard, um jovem ainda com traços de adolescente, que reuniu um grupo de educadores para explicar seus planos. Contava, com entusiasmo juvenil, sem nenhum esnobismo acadêmico, como estava ajudando a fazer do mundo uma sala de aula.
Inventores do futuro como ele me submeteram, neste ano, a uma terapia intensiva de humildade, na qual temos de aprender a conviver com a nossa insignificância, por melhores que nos consideremos.
O encontro coincidiu com a semana de encerramento do meu primeiro ano em Harvard, onde vim desenvolver um projeto de jornalismo comunitário. Continuo nessa incubadora de projetos sociais no próximo ano, mas a maior parte do tempo em São Paulo, também em colaboração com o Media Lab (MIT).
Foi nesse encontro com Salman que defini o que vivi por aqui: uma terapia intensiva de humildade.
Ele conseguiu transformar uma lição de casa familiar num projeto global porque teve a ajuda de outro ex-aluno de Harvard e inventor do futuro. Bill Gates, que estava usando aquelas aulas gratuitas para ensinar matemática a um filho, decidiu investir no projeto.
As pessoas associam Bill Gates à criação de produtos de informática, mas isso é pouco em comparação com o que ele vem fazendo ao estimular inovadores como Khan. Em sua fundação, Gates está gastando bilhões para desenvolver soluções contra a pobreza, especialmente vacinas. Uma das vacinas que ele ajudou a desenvolver conseguiu reduzir pela metade a morte de crianças com malária na África.
A terapia de humildade intensiva não se restringe ao campus de Harvard, mas estende-se à cidade de Cambridge, onde está o MIT. Nessa pequena cidade, está a maior concentração de ganhadores do Prêmio Nobel por metro quadrado. Comendo uma pizza, você pode estar ao lado do cientista que criou o sal de reidratação oral, responsável por salvar milhões de vidas, ou do médico que descobriu que se pode ser um fumante passivo. Talvez esteja lá Tim Berners-Lee, também morador de Cambridge, o inventor da combinação de três letras que mudou nosso cotidiano: www.
Pode-se encontrar numa festa ou num parque o idealizador do projeto Genoma ou aquele que é considerado o pai da inteligência artificial. Talvez também o inventor do e-mail.
Neste ano em que estou aqui, vi nascer um centro de pesquisas cuja tarefa era encontrar melhores tratamentos para o câncer (ou a sua cura). Juntaram no mesmo prédio médicos e engenheiros. Num centro de pesquisas biológicas, conseguiram rejuvenescer um rato e ali se cultiva a hipótese teórica da imortalidade. Pode-se duvidar da imortalidade, mas o tal ratinho está lá.
Acompanhei a articulação, comandada por Harvard, de uma biblioteca universal, com todo o conhecimento relevante produzido pela humanidade – tudo gratuito.
Nesse ambiente, em que o cotidiano é feito de inventores do futuro, inconformados com as limitações do presente, não dá para saber se aquele ou aquela jovem num banco de jardim, lendo um livro, será um futuro presidente dos Estados Unidos ou do Chile, a primeira mulher a dirigir um país africano, um ganhador do Prêmio Nobel da Paz ou o inventor de uma Microsoft ou de um Facebook.
Ou ainda se, como Salman, filho de imigrantes de Bangladesh, vai fazer do mundo uma sala de aula.
PS – Muita gente, vinda de muitos lugares, passa por aqui, seja estudando, seja gerando conexões planetárias. Senti, muitas vezes, que o mundo, de tão próximo, parecia um bairro. Como este espaço é limitado para compartilhar meu aprendizado, preparei um pequeno e-book, com base nos meus textos deste ano, intitulado “O Ano em que o Mundo Virou um Bairro”. Está disponível na internet (www.catracalivre.com.br).
Ao contrário do que muitos podem pensar, nem só de Paulo Coelho vive a literatura brasileira no exterior. Ainda que, de fato, o escritor tenha entrado para o Livro dos Recordes, o Guinness Book, com sua obra O Alquimista – o livro mais traduzido do mundo (69 idiomas) – outros autores também conquistaram os leitores estrangeiros e vêm alcançando reconhecimento também em outros países. Mas conseguir que um livro seja publicado em outra língua está longe de ser um processo simples e exige muito mais do que talento na escrita.
Segundo o escritor Milton Hatoum, em entrevista ao Portal Literal, apenas 3% dos livros lançados todos os anos nos Estados Unidos são traduções de obras estrangeiras. Além das dificuldades com a tradução, as diferenças culturais também costumam fazer com que o enredo de um livro torne-se desinteressante para o público leitor de outro país. Agnes Krup, diretora da agência literária Sanford J. Greenburger Associates, concorda com a afirmação em entrevista à revista Veja e afirma que “mesmo que um editor americano esteja interessado e por dentro de determinada cultura estrangeira, outras pessoas participarão da escolha dos livros, como o diretor de vendas, o de marketing e o de publicidade, gente que provavelmente não fala uma palavra de outro idioma. Eles não vão apoiar um projeto que torne o trabalho deles mais difícil”. Talvez seja por esse motivo, a proximidade da língua, que alguns países europeus, sobretudo a França, são mais receptivos a traduções de obras brasileiras que os norte-americanos.
No entanto, nomes recentes no mercado literário brasileiro têm desafiado essa tendência e mostrado um avanço significativo na valorização de nossos livros no exterior. Dentre eles, podemos citar o escritor Bernardo Carvalho, que lançou o livro Nove Noites em 11 países e a escritora Patrícia Melo que com o livro Elogio da Mentira já está presente em pelo menos 20 países. Eduardo Spohr, escritor do livro A Batalha do Apocalipse, e Daniel Galera, autor de Mãos de Cavalo, também são apostas de sucesso, assim como o jornalista e estreante no universo literário Edney Silvestre. Seu primeiro romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora, será publicado em pelo menos seis países. Mais veterano, Milton Hatoum já teve obras traduzidas para 17 idiomas e exibe na página principal de seu site, as capas de seus livros publicados no exterior.
Outra grande oportunidade para a literatura brasileira no exterior é a Feira de Frankfurt, na Alemanha, o maior evento internacional de livros do mundo que, em 2013, terá o Brasil como o grande destaque. Provavelmente, diversas editoras estarão à procura de autores brasileiros, repetindo a façanha de 1994, quando nosso país também foi destaque na feira e, depois do evento, o número de traduções de livros nacionais aumentou substancialmente, levando a literatura brasileira ao patamar de livros mais traduzidos na Alemanha (sede do evento). No entanto, no final dos anos 90, a falta de continuidade nos incentivos governamentais fez com que o ritmo da presença brasileira no exterior diminuísse consideravelmente.
Mas esse ano, diante da importância do evento de 2013, o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, apresentou o programa federal de estímulo à internacionalização da literatura brasileira. O Programa de Apoio à Tradução e Publicação de Autores Brasileiros no Exterior prevê o investimento de pelo menos R$ 12 milhões ao longo dos próximos dez anos. Entre as várias iniciativas do programa, destaca-se um substancial aumento nos valores das bolsas de tradução e no apoio à reedição de obras de autores nacionais no exterior.
Para o escritor e jornalista norte-americano Benjamin Moser é preciso que o país divulgue mais sua cultura literária no exterior se quiser reconhecimento internacional. “Acho que o Brasil poderia fazer muito mais para promover a literatura brasileira internacionalmente. As pessoas fora do Brasil têm uma ideia muito vaga do país. Acho que desde Carmen Miranda não tem mudado muito”, afirma Moser que, em 2009, publicou Clarice, biografia de Clarice Lispector.
Mas, afinal, quem são os autores nacionais mais lidos no exterior? Em 2009, o projeto Conexões Itaú Cultural organizou o Mapeamento da Literatura Brasileira no Exterior. Já são mais de 192 autores mapeados e dentre eles, vários gêneros literários. Mas os clássicos parecem continuar sendo preferência internacional. Conheça a galeria dos 12 escritores mais lidos no exterior, com base nesse estudo.
Além dos 12 listados, o mapeamento ainda conta com nomes como Gilberto Freyre, Roberto Schwarz, João Ubaldo Ribeiro, Lygia Fagundes Telles, Raduan Nassar, Ferreira Gullar e outros. Confira a relação completa aqui e acesse a “Questão 11 – escritores citados pelo mapeado“.
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