Imprimam a vontade! Beijos, e bom fim de semana a todos!
Ah, um recadinho, Jesus está aqui comigo e manda dizer que ama todos vocês!
Tatiana Klix, iG São Paulo
Talento e muito treino proporcionam a atletas brasileiros oportunidade de cursar uma graduação em universidades norte-americanasFoto: Arquivo pessoal
Estudar e praticar – a sério – um esporte nem sempre são tarefas simples de conciliar. Nos Estados Unidos, no entanto, é uma rotina comum e incentivada por faculdades, que dão bolsas para atletas com boas notas frequentarem suas instituições e competirem por elas nas ligas esportivas acadêmicas daquele país. A boa notícia é que elas podem ser distribuídas para alunos estrangeiros, e atletas amadores brasileiros estão aproveitando seus talentos e anos de treino para conseguir uma vaga em curso superior nos EUA.
A jovem de 19 anos Paula Maraschin Furtado Martins, de Niterói, no Rio de Janeiro, joga vôlei pela Northern State University, no estado de Dacota do Sul, desde julho do ano passado. Por integrar o time da instituição, recebe uma bolsa de 100% para cursar relações internacionais.
A estudante e atleta se interessou pela possibilidade de estudar no exterior e pagar pela faculdade praticando o esporte que gosta porque algumas jogadoras do mesmo clube onde Paula atuava até embarcar para os EUA, o Niterói Volei Clube, tinham feito o mesmo em anos anteriores e contavam que era uma experiência vantajosa. Os técnicos também incentivavam a prática.
“Vale muito a pena. O que eu mais gosto é o fato de estar em um lugar com uma cultura totalmente diferente, pessoas novas, aprendendo uma outra língua e, além de tudo, jogando vôlei”, conta.
Para se candidatar ao benefício é preciso praticar um esporte em nível competitivo, mas não profissional. O atleta não pode ter recebido para jogar, pela regra das universidades americanas. “Eles consideram que dar uma bolsa a um profissional é uma covardia com o atleta amador”, explica Gilberto Junior, que passou por duas faculdades jogando futebol entre 2005 e 2008.
Antes de embarcar, o carioca agora com 30 anos e funcionário da área de suprimentos de uma empresa que desenvolve projetos de engenharia para a Petrobras, era integrante das categorias de base do clube América, do Rio. “Tive sorte de não ter chegado a ser profissional por aqui. Assim, o futebol me deu a melhor coisa que fiz na minha vida”, avalia o agora ex-jogador.
Além das práticas esportivas, há exigências acadêmicas para obter bolsas de graduação nos EUA. A principal delas é ter terminado o ensino médio com boas notas. Thaïs Burmeister Pires, gerente do Centro de Orientação EducationUSA-Alumni, explica que as universidades convidam alunos que sejam bons na quadra e na sala de aula. “Quanto melhor aluno e atleta o jovem for, mais chances terá de conseguir bolsas maiores em instituições melhores”, explica a representante no Brasil da rede global afiliada à seção de Educação e Cultura do Departamento de Estado dos EUA.
Os técnicos esportivos de faculdades norte-americanas têm um orçamento para bolsas à disposição e podem distribuí-las da maneira que considerarem pertinente. “Eles podem escolher entre dar quatro bolsas de 100%, que cobrem todos os custos universitários, de alimentação, o material escolar e esportivo, além da moradia em um dormitório estudantil, ou distribuir o benefício parcialmente para mais alunos”, diz Felipe Fonseca, diretor da empresa Daquiprafora, especializada em consultoria a atletas que querem fazer graduação nos Estados Unidos. “A maioria consegue bolsas de 40% a 80% do custo total”, completa.
Fluência na língua não é obrigatória
A fluência na língua inglesa é outro aspecto importante na disputa por vagas, mas a falta dela não chega a ser um impeditivo para que um bom atleta possa defender um time de instituição de ensino. Em muitas universidades, é exigido do aluno o teste de proficiência em inglês Toefl e um exame de matemática e inglês cobrado para ingressar em curso superior, o SAT. Mas algumas faculdades menores e menos rígidas aceitam que alunos com pouca habilidade com a língua cursem cadeiras de inglês e de disciplinas em que a conversação não é tão importante para o aprendizado nos primeiros semestres. “Eu não falava nada”, conta Gilberto, que ficou um ano estudando só inglês, educação física e espanhol até conseguir passar no Toefl e começar o curso de graduação para valer.
Experiência não é para tornar atleta profissional
“Se o objetivo do atleta é se tornar profissional, pode desistir de estudar nos EUA”, aconselha Thiago Caffaro, de 25 anos, que frequentou por três anos e meio a New Jersey Institute of Technology, em Nova Jersey, e concluiu o curso de administração em Madri, também com ajuda proporcionada pela performance no futebol. “Só decidi tentar a bolsa quando percebi que não seria profissional”, conta o jovem que treinava no clube São Paulo durante a infância e adolescência.
A grande maioria dos estudantes que cursam uma graduação com bolsa de atleta colhe frutos da experiência na área de estudo, não no esporte. A rotina de treinos durante a faculdade é intensa, mas também é preciso estudar muito, superar a barreira da língua, se adaptar a uma cultura diferente. O foco é na formação completa dos alunos e não prepará-los para serem atletas profissionais. É o que aconteceu com Thiago, que retornou ao Brasil em 2007 e hoje trabalha em uma consultoria. Depois de formado, ele participou de 13 seleções de empresas para trainee e foi aprovado em todas. “A graduação nos EUA com certeza é um diferencial para o mercado de trabalho”, diz.
"Tatiana Klix, iG São Paulo
Empresas especializadas buscam vagas de acordo com o perfil do aluno, mas é possível se candidatar direto com técnicos esportivosA decisão sobre quem recebe bolsa esportiva em faculdades norte-americanas é dos técnicos das equipes universitárias, que usam o benefício para atrair bons atletas – e consequentemente resultados positivos – para os seus times. A chance de um estudante ser escolhido está, na essência, em convencer pelo menos um deles de que merece o benefício.
Como todas as faculdades têm páginas na internet com informações sobre a área de esportes, o nome e o email dos técnicos, atletas brasileiros interessados em uma vaga podem tentar se candidatar entrando em contato diretamente com eles. Podem também procurar indicações de pessoas que já conhecem os treinadores ou terem a sorte de serem observados (e escolhidos) por olheiros que eventualmente visitam clubes brasileiros em busca de talentos. No entanto, o caminho mais fácil de obter uma vaga, e muitas vezes mais seguro, é através de empresas especializadas em realizar o meio-de-campo entre o atleta e as universidades.
Desde 2001, o Daquiprafora oferece consultoria para preparar alunos para a graduação nos EUA e encontrar uma bolsa adequada ao perfil de cada um, conforme preferências, condições econômicas, potenciais esportivos e acadêmicos. “Se o cara é bom de bola e bom estudante, tem que procurar um tipo de universidade, mas se é um atleta de alto nível e nem tão bom aluno, provavelmente vai se adaptar melhor em outro lugar”, diz o fundador e diretor da empresa Felipe Fonseca. “Somos o empresário do estudante: em vez de procurar time, buscamos uma bolsa”, exemplifica.
No ano passado, o Daquiprafora enviou 250 atletas para os EUA. A empresa ajuda esportistas de 12 modalidades (das populares futebol e vôlei às menos praticadas golfe e esgrima). Pelo trabalho, que começa um ano antes da viagem e inclui gravação de vídeo, contato com técnicos, avaliação de potencial, do nível de inglês, orientação sobre treinamento para os testes exigidos pelas faculdades e encaminhamento de documentos necessários, a empresa cobra de R$ 7 mil a R$ 9 mil. Antes de embarcar o aluno ainda precisa desembolsar em torno de R$ 5 mil em passagens aéreas, aulas de inglês, inscrições nos exames, tradução de documentos, visto e seguro de saúde.
Outras operadoras de intercâmbio como CI, STB e World Study são representantes no Brasil da empresa Idea, que seleciona estudantes de vários países para 100 universidades em um evento anual de duas semanas na Flórida. Os candidatos participam de competições de basquete, futebol, golfe, tênis e vôlei enquanto são observados por olheiros de faculdades. A viagem também inclui passeios à praia e visitas a parques temáticos.
O pacote custa em torno de R$ 6 mil e é válido para alunos de 16 a 26 anos. Na volta, eles recebem cerca de 10 propostas de bolsas ou o dinheiro de volta. “Isso nunca aconteceu. Ninguém paga esse programa se não tiver condições de apresentar um bom desempenho esportivo e ser escolhido”, diz Bruno Seixas, gerente de Higher Education (educação superior) do STB.
Os custos não terminam no momento da seleção. Como apenas uma pequena parcela consegue propostas que cubram 100% da faculdade, ainda é preciso investir de R$ 6,6 mil (US$ 4 mil) a R$ 15 mil (US$ 9 mil) por ano para se manter estudando. No programa Idea, entre 10 e 15% dos participantes obtêm bolsas integrais; de 30 e 35% recebem bolsas de estudo, mas pagam pela acomodação e alimentação; e de 50 e 60% dos alunos recebem benefícios parciais. “Se botar na ponta do lápis, ainda vale a pena. É o que se paga por um curso superior no Brasil, mas a experiência é muito diferente. Lá os alunos moram no campus, tem uma estrutura física fantástica à disposição, vivem a universidade”, diz Fabiana Fernandes, gerente de produto da CI.
Quem não tem condições de arcar com todos esses gastos pode procurar o auxílio do EducationUSA-Alumni e tentar concorrer a uma ajuda extra – além da bolsa universitária – do próprio governo norte-americano. Para Thaís Burmeister Pires, gerente do centro de orientação, os estudantes devem se informar bastante para conhecerem todas as oportunidades que têm à disposição: o Education USA promove palestras sobre opções de intercâmbio, tem bibliotecas em várias unidades do País, informações disponíveis na internet e presta esclarecimentos gratuitamente. Já a Fundação Lemann oferece ajuda para cobrir os custos da viagem e do serviço do Daquiprafora para jovens considerados muito talentosos, mas com poucos recursos financeiros. A seleção, nesses casos, é feita pela própria consultoria especializada.
Informe-se
EducationUSA-Amumni: www.alumni.org.br/estudeua.htm e http://www.educationusa.org.br/
Fulbright Brasil (Comissão para intercâmbio educacional entre EUA e Brasil): www.fulbright.org.br/estude.html
Universidades nos EUA: www.topuniversities.com/ e www.arwu.org
Liga de esporte universitário nos EUA (NCAA): www.ncaa.org/