sábado, 23 de abril de 2011
Doutores da Alegria realizam apresentação na Prefeitura
Inscrições para olimpíada de matemática estão abertas
Inscrições para olimpíada de matemática estão abertas: "
iG Brasília
Só podem participar da Obmep alunos de escolas públicas. As escolas interessadas devem inscrever os estudantes até 3 de junhoAs escolas públicas de todo o País já podem inscrever seus alunos na sétima edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep 2011). Até dia 3 de junho, os formulários estarão disponíveis no site da competição, que deve receber 20 milhões de participantes este ano. Criada em 2005, a olimpíada pretende estimular o ensino da disciplina nas escolas. O evento é realizado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura Aplicada (Impa) com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), com o apoio dos Ministérios da Educação (MEC) e da Ciência e Tecnologia (MCT).
A competição terá duas fases. A primeira, no dia 16 de agosto, prevê a aplicação da prova objetiva com 20 questões. A correção é feita pelos professores das próprias escolas, a partir das instruções e gabaritos elaborados pela Obmep. Todos os alunos matriculados em escolas públicas brasileiras (municipais, estaduais e federais) podem participar.
No ato da inscrição, as escolas devem indicar quantos alunos participarão da primeira fase, de acordo com os níveis de participação – nível 1 para estudantes de 6º e 7º anos do ensino fundamental, nível 2 para 8º e 9º anos e nível 3 para o ensino médio.
A segunda fase ocorrerá em 22 de outubro. Será aplicada uma prova discursiva com seis ou oito questões. Os testes serão aplicados em centros indicados pela Obmep. Participam dessa fase apenas 5% dos alunos de cada escola, em cada nível, com melhor pontuação na primeira fase. No total, 500 estudantes receberão medalhas de ouro, 900 de prata e 1800 de bronze. Serão concedidos 30 mil certificados de menção honrosa.
Os 127 professores com melhor desempenho receberão um computador portátil com programas relacionados ao ensino da matemática. As 81 escolas com melhor resultado também receberão computadores portáteis e material para projeção.
"Mesmo com estímulo, educação integral ainda é para poucos
Mesmo com estímulo, educação integral ainda é para poucos: "
Priscilla Borges, iG Brasília
Ministério da Educação está com inscrições abertas para programa Mais Educação, que financia atividades extras nas escolasAumentar a carga horária de estudos das crianças e dos adolescentes brasileiros – e, com isso, ampliar a variedade de atividades oferecidas na escola – é uma das soluções mais defendidas por gestores e especialistas para melhorar a qualidade do ensino no País. A educação integral, no entanto, ainda está longe de ser uma realidade para todos os estudantes brasileiros.
De acordo com o Censo da Escolar de 2010, 1,3 milhão de brasileiros matriculados no ensino fundamental têm atividades em tempo integral (4,8% do total de matrículas nessa etapa). No entanto, apenas 469 mil deles permanecem sete horas ou mais na escola. A maioria passa pouco mais do que o tempo regular de aulas (cerca de quatro horas) no colégio e realiza atividades complementares no turno contrário.
Além de programas estaduais e municipais, o Ministério da Educação também tenta incentivar a ampliação dessa oferta. O programa Mais Educação, criado em 2007 para garantir recursos financeiros às escolas interessadas em oferecer ensino integral aos seus alunos, já atende 357 mil estudantes, de acordo com o Censo Escolar 2010. Os números da coordenação do programa, aliás, divergem dos fornecidos pelo Censo.
As atividades do Mais Educação começaram em 2008. As escolas cadastraram no sistema do MEC, naquele ano, 380 mil crianças beneficiadas pelas atividades do programa, oferecido em 1.380 escolas de 55 municípios. Em 2009, houve a ampliação do atendimento para 5 mil escolas em 126 municípios de todos os estados e no Distrito Federal, com a participação de 1,5 milhão de estudantes, de acordo com o cadastro. Em 2010, 10 mil escolas foram atendidas e 2,2 milhões de participantes.
Este ano, 16 mil escolas da educação básica foram pré-selecionadas pelo Ministério da Educação para participar do programa. As inscrições estão abertas e há 15 mil vagas, mas nem todas as escolas preencheram os formulários com os planos de trabalho propostos. Ao todo, 14.300 mandaram propostas. O período para apresentação dos projetos, que encerraria dia 28 de fevereiro, foi prorrogado para 26 de abril.
Jaqueline Moll, diretora de concepções e orientações curriculares da Secretaria de Educação Básica do MEC, lembra que a interiorização do projeto tem aumentado a dificuldade para que as escolas se inscrevam. O uso da informática e da internet e o próprio estranhamento com a ideia de educação integral pelos gestores escolares são entraves para a participação das escolas.
“A visão de escola em turnos está ossificada no Brasil. Isso é o mais difícil de mudar. O recurso chega, mas é preciso compreender o sistema e modificar o olhar sobre a educação integral. Ela deve ser processo de aprendizado diferente e não só ampliação do tempo”, afirma Jaqueline.
Dificuldades vão além do dinheiro
O Mais Educação envia recursos diretamente às escolas pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE-Escola) para financiar as atividades com os estudantes. A prioridade do ministério é atender as escolas que não obtiveram bom desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade da educação brasileira. O dinheiro é depositado na conta da escola para aquisição de materiais, pagamento de transporte e de ajuda de custo a monitores, por exemplo.
Cada escola recebe, em média, R$ 37 mil para aplicar nos dez meses letivos. Os valores variam de acordo com o número de estudantes cadastrados. Quem participa da experiência garante que o recurso tem sido suficiente para manter as atividades propostas. Há outros obstáculos, porém. Um dos maiores é o espaço físico das escolas. Superlotadas de alunos, em todos os turnos, a maioria não possui salas de aulas disponíveis para atividades que não sejam as aulas regulares, quadras de esportes, laboratórios, bibliotecas.
O Centro Educacional Darcy Ribeiro, localizado na região do Paranoá, em Brasília, possui 1,5 mil alunos matriculados pelos três turnos de aulas na escola. Todas as salas de aula estão lotadas. Mesmo assim, a direção decidiu driblar a falta de espaço para desenvolver atividades pelo Mais Educação. Eles queriam mudar as notas no Ideb e sentiam que os alunos, de comunidade carente, precisavam de outras atividades para melhorar a própria formação.
Desde 2010, a escola recebe os recursos do MEC. A pequena biblioteca possui pilhas de livros pelo chão e recebeu uma sala improvisada para atender as aulas de reforço de português e matemática. Um espaço vazio no corredor virou a sala de artes para as oficinas de mosaico. E a direção buscou parcerias fora da escola para oferecer aulas de judô. O problema é que, infelizmente, apenas 120 alunos participam do projeto.
Segundo Sandra Basso Bonazza, vice-diretora da escola, não há espaço físico para mais. Hoje, a escola realiza seis oficinas: reforço de português e matemática, oficinas de mosaico, teatro, judô e informática. “Se tivéssemos apenas os 500 alunos de um turno, poderíamos oferecer muitas oportunidades a todos”, comenta. A diretora Aldeneide Rocha conta que o comportamento dos participantes do projeto mudou. “Eles se sentem parte da escola e se descobriram outros interesses”, diz.
Ítalo Mateus Ferreira Gomes, 13, participa do programa desde o ano passado. Fez oficinas de vídeo, informática, reforço de português e agora participa das aulas de judô, dadas em parceria com a Academia Nacional de Polícia, da Polícia Federal. A PF busca os meninos na escola, dá aulas de judô duas vezes por semana na sede da academia e oferece lanches aos alunos. “Decidi participar para aprender mais coisas. Melhorei minhas notas e gosto mais da escola”, conta. Os colegas dizem o mesmo.
Mudança cultural
Os especialistas concordam que implantar a educação integral no País exige mudanças estruturais. “A gente não pode inaugurar escolas simplesmente com salas de aula, banheiro e direção”, critica Jaqueline Moll. A diretora do MEC defende que as ações sejam pensadas com outras áreas, como esportes, cultura, desenvolvimento social. Até 2014, a meta é chegar a 32 mil escolas no programa.
Nelson Cardoso Amaral, professor da Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), ressalta que as atividades precisam fazer parte do projeto político-pedagógico da escola. “Não podemos colocar os alunos em atividades aleatórias”, defende. “Não é que isso seja ruim, mas está longe de ser educação em tempo integral”, diz. Para ele, um dos pontos mais essenciais é colocar professores em tempo integral nas escolas.
Cleyton Gontijo, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que o conceito de educação integral não é compreendido. “Precisamos romper com a lógica de organização da escola em turnos para atividades formais, e contraturnos, para as informais. Integral significa que a escola está organizada para atender os alunos durante todo o tempo”, reforça.
Gontijo lembra que, para que a proposta funcione, é preciso valorizar os professores, investir em capacitações e na construção de projetos pedagógicos de qualidade nas escolas. Para isso, o professor defende mais investimentos do que a meta de 7% do PIB em 2020, como propõe o novo Plano Nacional de Educação. “O ensino integral tem um ganho social muito grande e estamos longe de conseguir implantá-lo”, opina.
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Brasil é o país com menos graduados entre emergentes
Brasil é o país com menos graduados entre emergentes: "
Agência Brasil
Pesquisa sobre população que concluiu o ensino superior foi feita com 36 países: apenas 11% dos brasileiros possuíam diplomaPara concorrer em pé de igualdade com as potenciais mundiais, o Brasil terá que fazer um grande esforço para aumentar o percentual da população com formação acadêmica superior. Levantamento feito pelo especialista em análise de dados educacionais Ernesto Faria, a partir de relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), coloca o Brasil no último lugar em um grupo de 36 países ao avaliar o percentual de graduados na população de 25 a 64 anos.
Os números se referem a 2008 e indicam que apenas 11% dos brasileiros nessa faixa etária têm diploma universitário. Entre os países da OCDE, a média (28%) é mais do que o dobro da brasileira. O Chile, por exemplo, tem 24%, e a Rússia, 54%. O secretário de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC), Luiz Cláudio Costa, disse que já houve uma evolução dessa taxa desde 2008 e destacou que o número anual de formandos triplicou no país na ultima década.
“Como saímos de um patamar muito baixo, a nossa evolução, apesar de ser significativa, ainda está distante da meta que um país como o nosso precisa ter”, avalia. Para Costa, esse cenário é fruto de um gargalo que existe entre os ensinos médio e o superior. A inclusão dos jovens na escola cresceu, mas não foi acompanhada pelo aumento de vagas nas universidades, especialmente as públicas. “ Isso (acabar com o gargalo) se faz com ampliação de vagas e nós começamos a acabar com esse funil que existia”, afirmou ele.
Costa lembra que o próximo Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece como meta chegar a 33% da população de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior até 2020. Segundo ele, esse patamar está, atualmente, próximo de 17%. Para isso será preciso ampliar os atuais programas de acesso ao ensino superior, como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), que aumentou o número de vagas nessas instituições, o Programa Universidade para Todos (ProUni), que oferece aos alunos de baixa renda bolsas de estudo em instituições de ensino privadas e o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), que permite ao estudantes financiar as mensalidades do curso e só começar a quitar a dívida depois da formatura.
“O importante é que o ensino superior, hoje, está na agenda do brasileiro, das famílias de todas as classes. Antes, isso se restringia a poucos. Observamos que as pessoas desejam e sabem que o ensino superior está ao seu alcance por diversos mecanismos', disse o secretário.
Os números da OCDE mostram que, na maioria dos países, é entre os jovens de 25 a 34 anos que se verifica os maiores percentuais de pessoas com formação superior. Na Coreia do Sul, por exemplo, 58% da população nessa faixa etária concluiu pelo menos um curso universitário, enquanto entre os mais velhos, de 55 a 64 anos, esse patamar cai para 12%. No Brasil, quase não há variação entre as diferentes faixas etárias.
O diagnóstico da pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista no tema Elizabeth Balbachevsky é que essa situação é reflexo dos resultados ruins do ensino médio. Menos da metade dos jovens de 15 a 17 anos está cursando o ensino médio. A maioria ou ainda não saiu do ensino fundamental ou abandonou os estudos. “Ao contrário desses países emergentes, a população jovem que consegue terminar o ensino médio no Brasil [e que teria condições de avançar para o ensino superior] é muito pequena”.
Como 75% das vagas em cursos superiores estão nas instituições privadas, Elizabeth defende que a questão financeira ainda influencia o acesso. “Na China, as vagas do ensino superior são todas particulares. Na Rússia, uma parte importante das matrículas é paga, mas esses países desenvolveram um esquema sofisticado de financiamento e apoio ao estudante. O modelo de ensinos superior público e gratuito para todos, independentemente das condições da família, é um modelo que tem se mostrado inviável em muitos países”, comparou ela.
A defasagem em relação outros países é um indicador de que os programas de inclusão terão que ser ampliados. Segundo Costa, ainda há espaço – e demanda – para esse crescimento. Na última edição do ProUni, por exemplo, 1 milhão de candidatos se inscreveram para disputar as 123 mil bolsas ofertadas. Elizabeth sugere que os critérios de renda para participação no programa sejam menos limitadores, para incluir outros segmentos da sociedade.
“Os dados mostram que vamos ter que ser muito mais ágeis, como estamos sendo, fazer esse movimento com muita rapidez porque, infelizmente, nós perdemos quase um século de investimento em educação. A história nos mostra que a Europa e outras nações como os Estados Unidos e, mais recentemente, os países asiáticos avançaram porque apostaram decididamente na educação. O Brasil decidiu isso nos últimos anos e agora trabalha para saldar essa dívida”, disse a pesquisadora.
"Vencedor do 'Soletrando' estuda à noite e mora com avô analfabeto
Vencedor do 'Soletrando' estuda à noite e mora com avô analfabeto: "
Wilson Lima, iG Maranhão
Izael Francisco de Araújo, de 14 anos, mora no interior do Piauí. Agora, ele quer vencer a Olimpíada Brasileira de MatemáticaFoto: Divulgação/TV Globo
Izael Francisco de Araújo, de 14 anos, aluno do 9° ano da Escola Municipal Teotônio Ferreira Brandão , em Cocal dos Alves, no interior do Piauí, é daqueles típicos estudantes do interior do nordeste brasileiro. Tímido, de poucas palavras e que não mede esforços para conseguir viver dias melhores. Agora, ele vai ter a chance de concretizar alguns desses sonhos. Ele venceu a edição deste ano do quadro “Soletrando”, do programa “Caldeirão do Huck”, apresentado por Luciano Huck na TV Globo.
Izael tem a voz rouca, respostas rápidas, curtas e objetivas. Filho único, mora com a mãe, Maria Francisca de Brito, e com o avô, um lavrador analfabeto, Francisco Ricardo. A renda da casa de Izael vem apenas da lavoura do avô. O pai abandonou o filho quando dona Francisca Brito estava grávida. Apesar disso, o pequeno Izael diz não guardar mágoas do pai. A cidade natal de Izael, Cocal dos Alves, fica a 262 quilômetros de Teresina e tem 5,5 mil habitantes.
Ao vencer o “Soletrando”, Izael disse que realizou o maior sonho de sua vida. “Não tenho outros sonhos. Ainda não pensei nisso”, disse o estudante. “Trabalhei muito para isso. Estudei muito”, complementa. Agora, Izael está voltado a outro objetivo, nem tão cinematográfico: vencer a Olimpíada Brasileira de Matemática, marcada para o próximo dia 16 de agosto.
'Celebridade', menino estuda à noite
Quando crescer, Izael quer trabalhar com algo ligado à linguagem. A primeira opção é o jornalismo. “Me dou bem com as palavras. Esse é um bom início”, brinca. A escola onde Izael estuda foi reformada recentemente e é considerada uma das melhores em Cocais dos Alves, ainda que não ofereça turmas de 9º ano nos turnos matutino e vespertino. Izael, por exemplo, estuda à noite por causa dessa limitação.
Após a vitória no quadro “Soletrando”, Izael virou uma celebridade no Piauí. No sábado, depois da exibição do programa, ele ganhou uma carreata em Cocal das Alves. Izael participou da carreata com uma cartaz com o salmo 66, o “cântico de louvor a Deus pelas suas grandes obras”. Sua relação com os colegas de turma, segundo ele, não mudou. “Sempre tive uma boa convivência com as turmas. Agora, lógico, ainda tento me acostumar com tanto assédio”, brinca o estudante.
Na segunda-feira, ganhou um netbook do governador Wilson Martins (PSB). “A vitória destes meninos é mais que uma vitória particular, é de todo o Estado do Piauí. Isso mostra que temos estudantes capacitados na rede pública”, disse Martins também em referência a Sandoel Brito, 17 anos, campeão da olimpíada nacional de matemática em 2010. Izael também visitou redações de jornais e participou de programas de TV de Teresina.
O estudante do Piauí superou as estudantes Joyce, do Paraná, e Letícia, do Pará, na final do quadro “Soletrando”. Ele ganhou um cheque no valor de R$ 100 mil para ser investido em sua educação. Essa não foi a primeira vez que Izael participou das seletivas para o programa. No ano passado, ele ficou em segundo na seletiva estadual.
"Música é um de sete novos conteúdos obrigatórios nas escolas
Música é um de sete novos conteúdos obrigatórios nas escolas: "
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo
Conselheiros Nacionais de Educação dizem que só transversalidade das disciplinas permitirá introduzi-losNos últimos quatro anos foram acrescentados ao currículo da educação básica mais sete conteúdos obrigatórios. Em 2007, uma lei introduziu direitos das crianças e dos adolescentes. Em seguida, em 2008, entrou história e cultura afro-brasileira e indígena. Logo depois, vieram filosofia e sociologia – estas como disciplinas para o ensino médio – e, ainda naquele ano, música. Em 2010, uma emenda somou artes regionais e um decreto estabeleceu educação financeira.
Para cada novo componente foi dado um prazo de adaptação válido para escolas públicas e privadas. A obrigatoriedade do ensino de música começa no próximo mês de agosto, mas o Ministério da Educação (MEC) criou apenas este mês um Grupo de Trabalho para estabelecer a metodologia de implantação do conteúdo. Enquanto isso, algumas redes contrataram profissionais, outras investiram em projetos fora do horário de aula e a maioria ainda não se adaptou.
Pela lei, não é necessária uma disciplina para música, mas apenas a introdução de conteúdos. Dessa forma, diferentes professores poderiam introduzi-la dentro ou fora do horário de aula.
Liane Hentschke, professora de educação musical da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – instituição que é referência na área no País – defende que o mínimo seja um educador com formação específica e equipamentos musicais. “Dá para começar com o laboratório de informática e trabalhar softwares musicais com os quais as crianças já estão habituadas fora da escola, mas é importante ter um professor com consciência dos objetivos e que saiba introduzir outras músicas” afirma, acrescentando que depois de alguns meses também será necessário apresentar instrumentos.
“É preciso ter pelo menos aparelho de som, DVD, televisão, instrumentos de percussão, de corda, tambores e chocalhos. Para usar a voz, é preciso um profissional que entenda de canto, não é só cantar”, explica.
Ainda assim, ela defende que a música não ocuparia o tempo das disciplinas já existentes, pelo contrário, ajudaria a melhorar a compreensão delas. “Contribui para as capacidades de leitura, comunicação, sociabilidade, ouvir o outro, lógica, interpretação e ainda pode ser uma forma de incluir deficientes diversos”, argumenta.
Solução é integrar
A integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE), Clélia Brandão, lamenta que o estabelecimento de obrigatoriedade seja traduzido como um imposição de um componente sem conexão com os demais. “A música é fundamental desde a Grécia antiga e queríamos garantir que ela fizesse parte da formação dos jovens, ela agrega e serve para tornar a escola atraente. Agora vemos redes pensando no que dar de forma isolada, por série ou fora do contexto das outras áreas, isso é um modelo falido”, diz.
Queríamos garantir que a música fizesse parte da formação por agregar e tornar a escola atraente. Agora vemos redes pensando no conteúdo de forma isolada, por série ou fora do contexto, isso é um modelo falido'
Para ela, a música deveria integrar turmas diferentes e fazer parte de projetos com conteúdos de várias áreas. “A gente tem sido tradicionalista, tratando o aprendizado como uma série de pedacinhos, isso torna difícil acrescentar algo novo, a sonoridade deveria ajudar a unir e não entrar como outro conteúdo separado”. Ela espera que a equipe formada este ano possa esclarecer este “mal entendido”. “A escola tem que ousar ou estamos perdendo tempo.”
Outro conselheiro, José Fernandes Lima, critica a criação de muitos conteúdos novos. Relator de uma proposta de mudança no ensino médio que daria autonomia às escolas para montar suas grades curriculares, ele diz que os conteúdos devem ser dados de forma integrada e que o próximo passo seria tornar mais difícil a imposição de componentes. “Precisa estabelecer que direitos humanos são conteúdo? E educação a favor da diversidade? São coisas que a escola precisa ensinar pelo exemplo e o tempo todo, casos assim não devem ser colocados como componentes sob o risco de serem tratados apenas na aula específica do assunto.”
Escolas que já incluem música adotam estratégias diferentes
Escolas que já incluem música adotam estratégias diferentes: "
Cinthia Rodrigues e Luciana Cristo, iG São Paulo e Paraná
Rede estadual do Paraná fez concursos para contratar profissionais capacitados, enquanto São Paulo forma professores de arteFoto: Agência de Notícias do Paraná
Apesar dos três anos de prazo para a entrada em vigor da obrigatoriedade do ensino de música, a maioria das redes ainda não fez adaptações. Gestores reclamavam da falta de diretrizes que devem ser anunciadas nas próximas semanas após reunião de representantes do Ministério da Educação com especialistas no assunto.
O Paraná é uma das exceções. Por lá o ensino de música ocorre como conteúdo incluído na disciplina de artes, que engloba também artes visuais, teatro e dança. O departamento de Educação Básica orienta o ensino da música com a formação de uma massa crítica e o contato com melodias e harmonias de diferentes culturas. Para o ensino médio, existe o Livro Didático Público de Arte com cinco capítulos referentes ao ensino de música, além do caderno de musicalização recebido pelos alunos.
No Colégio Estadual Professor José Guimarães, em Curitiba, a professora de Artes com formação em música de Lima dá continuidade a um trabalho iniciado há dois anos que inclui teoria, marcação rítmica e à contextualização histórico-política de determinadas canções. Os alunos se sentem à vontade tocando músicas populares brasileiras nos mais variados instrumentos. “O principal é ensinar a organização do som. O objetivo não é formar um músico, mas sim que os estudantes saibam apreciar e entender. É abrir o interesse para a área musical”, explica a professora.
Os olhares curiosos e as perguntas demonstram o interesse de estudantes. Para os jovens que já tocavam algum instrumento, a empolgação é ainda maior, como no caso de Fernando Lesniowski e Brunna Karolina de Oliveira Guimarães, ambos de 16 anos. “Eu curto rock, mas a professora também já trouxe baião e samba, por exemplo”, conta Fernando. O aprendizado também é destacado por Marcelo Augusto, de 19 anos. “Já tinha contato com outros instrumentos, mas tocava apenas de ficar olhando as notas musicais. Nunca fui de ficar olhando partitura, que foi uma coisa que nos ensinaram”, disse.
Hoje, as aulas são incrementadas com instrumentos musicais fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação. Mas os objetos não são considerados imprescindíveis.
O governo paranaense informou que desde 2003 houve três concursos públicos para contratação de professores. No entanto, não esclareceu se as contratações foram suficientes.
Na cidade de São Paulo, a música foi incluída nas orientações curriculares de 2008 contemplando ritmos regionais, afro-brasileiros e indígenas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, até o final do ano passado 24 cursos formaram 1.006 professores em linguagem musical. Porém, a pasta não identificou um trabalho que já estivesse em andamento e servisse como exemplo a ser retratado nesta reportagem.
Há também atividades fora do horário de aula comum como bandas e fanfarras, iniciação musical e apresentações eruditas que são oferecidas nos Centros Educacionais Unificados (CEUs).
No Rio Grande do Sul, o governo anterior fez um documento por série detalhando conteúdos musicais e objetivos. A atual Secretaria de Educação, no entanto, diz que nenhuma escola de ensino fundamental e médio adota música nas aulas.
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"Não se pode ensinar tudo", diz especialista português
"Não se pode ensinar tudo", diz especialista português: "
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo
Para Antonio Nóvoa, aprovação de muitos novos conteúdos atrapalha escola no ensino do que é fundamentalFoto: Universidade de Lisboa
Doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, na Suíça, e em História por Sorbonne, na França, o atual reitor da Universidade de Lisboa, o português Antonio Nóvoa, é considerado uma referência em ensino e aprendizado. Em suas palestras pelo mundo – e pelo Brasil - tem defendido que os conteúdos excessivos atrapalham o processo por não permitir reflexão e aprofundamento nem das novas disciplinas e nem das que já eram tradicionais. No caso dos novos temas impostos às escolas brasileiras, ele aprova a inclusão de música que julga “estruturante”. No mais, acha que o professor precisa ter formação e liberdade de escolha. Leia entrevista:
iG: Nos últimos anos, o Brasil incluiu mais conteúdos no currículo da escola básica. O que o sr. acha disso?
Antonio Nóvoa: Tudo depende do tipo de conteúdos. Não se pode ensinar tudo. O fundamental é ensinar o que é estruturante na formação de um jovem, o que lhe permite ler e analisar o mundo, o que lhe permite continuar a aprender, o que lhe dá as bases para uma educação pela vida afora.
iG: Entre os que entraram estão cultura africana e educação financeira e, em agosto, música passa a ser obrigatório.
Nóvoa: O conhecimento das culturas do mundo e, sobretudo, a capacidade de estimular o diálogo entre elas é absolutamente fundamental. Uma das grandes missões da escola é ensinar as crianças a se comunicarem umas com as outras. Mas não creio que a cultura africana, ou qualquer outra, devam ser automatizadas. O mesmo se poderá dizer da educação financeira. Situação totalmente distinta é a música. Aqui, sim, estamos perante um conteúdo que é estruturante da educação das crianças e dos jovens. A música é um elemento central da cultura e da formação das novas gerações.
iG: Como Portugal, Europa e o mundo de forma geral lidam com essa equação de ver cada vez mais conteúdos a ensinar?
Nóvoa: Ninguém lida bem com isso. Todos nos queixamos de que os programas e os currículos são excessivamente extensos. Mas todos nos dedicamos a acrescentar dia após dia mais matérias, mais conteúdos, mais disciplinas. É uma insensatez.
iG: O Brasil ampliou o tempo de educação obrigatória, que ia dos 6 aos 14 anos e agora vai dos 4 aos 17 anos. Isso significa criar condições para que todos os conteúdos sejam dados de forma adequada?
Nóvoa: Não. Esse alargamento é muito importante e acompanha as evoluções mundiais. Mas, por si só, não resolve os problemas da organização do currículo, das disciplinas e dos conteúdos a ensinar.
iG: Professores e gestores que recebem a imposição da lei podem agir de que forma para promover a melhor educação possível?
Nóvoa: Não devemos ter quaisquer ilusões. As reformas, os programas, os conteúdos, a pesquisa e a gestão escolar são muito importante. Mas nada substitui um bom professor. É por isso que os professores devem ter uma excelente formação, que lhes permita agir com autonomia e independência, e bom senso, na escolha dos meios pedagógicos e dos conteúdos de ensino. Sem liberdade dos professores não há qualquer possibilidade de melhorar a educação nas nossas escolas.
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Dúvidas dos leitores
Dúvidas dos leitores: "
1ª) Ele tinha PAGO ou PAGADO a conta?
Aqui, você decide. Este assunto sempre provoca muita discussão. É a guerra dos particípios.
O particípio, que já foi chamado de particípio passado, geralmente termina em – ADO ou –IDO: falado, comunicado, empregado, vendido, perdido, partido, saído.
Alguns verbos irregulares apresentam formas diferentes: escrito, feito, posto, visto, aberto, descoberto.
O problema são alguns verbos que apresentam as duas formas: a regular (pagado, pegado, gastado e ganhado) e a irregular (pago, pego, gasto, ganho).
Há quem defenda o uso exclusivo da forma regular. Negam a existência da irregular. Para esses, deveríamos usar sempre: “ele tinha pagado a conta”, “ela havia pegado os documentos”, “o dinheiro já havia sido gastado”, “os pontos foram ganhados”…
Outros pensam o oposto. Dizem que as formas regulares entraram em desuso e que só deveríamos usar as formas irregulares: “ele tinha pago a conta”, “ela havia pego os documentos”, “o dinheiro já havia sido gasto”, “os pontos foram ganhos”.
Há uma terceira opinião. É a dos moderados, que aceitam as duas formas.
Se você quer saber a minha opinião, lá vai.
Estou com os moderados. Não vejo por que rejeitar as formas clássicas (pagado, pegado, gastado e ganhado) ou negar o novo, que principalmente no Brasil é uma realidade (pago, pego, gasto e ganho).
Quanto ao uso das duas formas, defendo a regra tradicional para os particípios abundantes:
1a) A forma regular só podemos nos tempos compostos (=com os verbos auxiliares TER e HAVER):
“Ele tinha pagado a conta.”
“Ela havia pegado os documentos.”
“Ele havia gastado o dinheiro.”
“Ele tinha ganhado os pontos.”
2a) A forma irregular pode ser usada com qualquer verbo auxiliar (SER, ESTAR, TER e HAVER):
“A conta foi paga”; “Ele tinha pago a conta”;
“Os documentos foram pegos”; “Ele havia pego os documentos”;
“O dinheiro já havia sido gasto”; “Ele havia gasto o dinheiro”;
“Os pontos estavam ganhos”; “Ele tinha ganho os pontos”.
Para terminar, outra observação. As formas “trago” e “chego”, como particípios, são inaceitáveis. Devemos usar apenas as formas clássicas: “Ele tinha TRAZIDO os documentos” e “ela já havia CHEGADO”.
Essa história de “ele tinha trago” ou de “ela havia chego” só se for piada.
2ª) INTERVIDO ou INTERVINDO?
“O juiz já havia INTERVIDO ou INTERVINDO no caso”?
Neste caso não há polêmica. O certo é INTERVINDO.
O verbo INTERVIR é derivado do verbo VIR. Deve, portanto, seguir o verbo primitivo:
Eu venho – eu intervenho
Ele vem – ele intervém
Eles vêm – eles intervêm
Nós vimos – nós intervimos (=presente do indicativo)
Nós viemos – nós interviemos (=pretérito perfeito do indicativo)
Ele veio – ele interveio
Eles vieram – eles intervieram
Eu vim – eu intervim
Se eu viesse – se eu interviesse
Quando eu vier – quando eu intervier.
Quanto ao verbo VIR, há uma curiosidade: é o único verbo cujo particípio é igual ao gerúndio:
“Eu estou VINDO de casa.” (gerúndio),
“Eu tinha VINDO de casa.” (particípio).
Portanto, se o particípio do verbo VIR é VINDO, os verbos derivados devem segui-lo: INTERVINDO, PROVINDO, ADVINDO…
A forma intervido simplesmente não existe.
3ª) COMPLETA ou COMPLETADA?
Muita gente acha estranho quando o Galvão Bueno diz: “quarenta voltas COMPLETADAS”.
Ele está certíssimo.
As duas formas existem, mas merecem uma observação quanto ao seu uso:
1o) COMPLETO é adjetivo. Deve ser usado quando qualifica um substantivo (=ao lado do substantivo ou após um verbo de ligação):
“Ele já deu duas voltas COMPLETAS.”
“A lista dos convocados já está COMPLETA.”
2a) COMPLETADO é o particípio do verbo completar. Devemos usar nos tempos compostos e na voz passiva:
“Ele tinha COMPLETADO quarenta voltas.”
“Quarenta voltas já foram COMPLETADAS.”
O significado da Páscoa...
O significado da Páscoa...: "
OVOS DE PÁSCOA |
COELHO |

CORDEIRO |
CÍRIO PASCAL |

GIRASSOL |

PÃO E VINHO |

Colomba Pascal |

SINO |

Quaresma |
Óleos Santos |
Desenhos para colorir dia das mães
O problema é só as calorias não é!
Postei atividades para o dia das mães, desenhos para colorir e mais dois projetos que encontreio passeando pela net.
Espero que gostem, amanhã eu posto mais novidades para vocês!