quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Aprender com o vizinho – Chile, parte 1

Aprender com o vizinho – Chile, parte 1: "

Em artigo recente para o jornal Folha de São Paulo, onde analisamos os resultados do PISA 2009, eu e Ilona concluímos que o Chile tinha algo a nos ensinar em matéria de educação. O país não só deu um dos maiores saltos na nota de leitura no exame – aumentou 40 pontos entre 2000 e 2009 – mas também diminuiu a desigualdade de seu sistema educacional. O que “puxou” a média chilena no PISA foi o aumento da nota dos alunos mais pobres, que subiu 51 pontos.


Por isso, entre os dias 11 e 14 de janeiro de 2011, estivemos naquele país para saber o que eles estavam fazendo por lá. Conhecemos programas educacionais, nos reunimos com alguns dos responsáveis pelas reformas chilenas do passado e aqueles que estão debatendo atualmente o plano de educação no Congresso chileno, bem como pesquisadores educacionais, responsáveis pela formação inicial de professores e avaliadores.


Foi uma viagem estimulante e embaraçosa ao mesmo tempo, afinal somos a oitava economia do mundo e não conseguimos resolver problemas básicos do nosso sistema educacional, que os chilenos já resolveram há muito tempo.


A viagem também deixou claro por que o Chile está na nossa frente em matéria educacional e por que eles avançam mais rapidamente que a gente. A boa notícia é que isso não é aleatório e não depende de uma fórmula mágica ou um salvador da pátria. O Chile mostra aquilo que talvez já saibamos, mas como nação não queremos enxergar: precisamos investir mais e investir certo — e isso significa também trabalhar duro e fazer os sacrifícios necessários.


O Chile tomou essa decisão há 20 anos: com a democratização do país, a educação se transformou em prioridade nacional. E se há um consenso, do taxista ao presidente do Senado, é de que o debate nacional que importa é o debate educativo, pautado pelo desenvolvimento social e econômico do país. E isso se faz notar.


De todos os ministérios, o mais importante politicamente é o Ministério da Educação. Atualmente, ele é ocupado pelo político mais proeminente de seu partido, Joaquin Lavin, que foi duas vezes candidato a Presidente do Chile. Em uma delas, perdeu para Ricardo Lagos, Ministro da Educação no momento da eleição. Isso nada mais é do que o reflexo da importância que a educação ocupa no cenário político nacional. Estamos longe disso, apesar de toda a retórica (vazia de propostas sérias, na grande maioria das vezes) do nosso período eleitoral.


Esse clima de prioridade nacional permitiu que o país fizesse as reformas que fez e que segue fazendo: aumentar substantivamente os investimentos em educação; elaborar um currículo nacional rigoroso de padrão internacional, que é atualizado constantemente; vincular o financimento ao nível socioeconômico dos alunos (as redes ou escolas que recebem os alunos mais pobres recebem mais dinheiro), mediante estabelecimento de metas; avaliar os professores; atrair jovens mais bem preparados para os cursos de formação de professores, entre outras.


Aqui no Blog Ideias em Educação, vamos contar para vocês, em vários posts, um pouco do que aprendemos no Chile. E mostrar como – e se é possível e faz sentido – trazer algumas dessas ideias para o nosso país.

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