sábado, 3 de setembro de 2011

Kitty Crowther

http://editora.cosacnaify.com.br/blog
Kitty Crowther:

O artigo abaixo foi publicado em 2010, quando a consagrada autora belga Kitty Crowther venceu o Astrid Lindgren Memorial Award, uma das maiores honras para um autor de literatura infantojuvenil. O prêmio teve pouca repercussão no Brasil, e reproduzimos a matéria agora (em versão reduzida; o original foi publicado no Le Soire, e pode ser lido aqui), por ocasião do lançamento de Meu reino no Brasil, livro de estreia de Crowther.






 


Não é necessário falar sueco para reconhecer o nome de Kitty Crowther no comunicado oficial do Astrid Lindgren Memorial Award, proclamando-a vencedora entre os 168 indicados no ano de 2010 – originários de 61 países. O anúncio foi feito ao meio-dia de Vimmerby, onde nasceu a criadora de Píppi Meialonga, que dá nome ao prêmio. Também foi transmitido ao vivo pelo site da fundação (www.alma.se), e em uma tela gigante na Feira de Bolonha, onde, evidentemente, se encontrava a nova laureada.


O apresentador do prêmio sublinhou a qualidade do traço e das atmosferas criadas por Kitty Crowther. “Ela mantém a tradição do livro ilustrado ao mesmo tempo que a transforma e renova. No seu mundo, a porta entre a imaginação e a realidade está escancarada. Ela se dirige ao leitor com doçura, mas também com profundidade. Com uma empatia real pelos que estão em dificuldade, ela mostra caminhos onde a fraqueza pode se tornar força. O humanismo e a simpatia impregnam e unificam sua arte”.


A premiação sueca é concedida desde 2003 e destaca a cada ano um escritor, ilustrador e/ou uma organização que trabalhe de modo a estimular a leitura das crianças. Note-se que ela recompensa a integralidade de uma obra, e não um livro ou um projeto isolados. Com cerca de trinta títulos publicados, Kitty Crowther se alinha perfeitamente no credo do Astrid Lindgren Memorial Award, que afirma: “Uma literatura de qualidade oferece às crianças um lugar no mundo, e ao mundo um lugar com as crianças”.


Esta láurea vem para a autora logo depois de ter recebido o Prêmio Baobab, em novembro de 2009, pelo livro Annie du Lac. Nascida em Bruxelas, de pai inglês e mãe sueca, Kitty Crowther publica literatura infantojuvenil desde 1994. Sua estreia foi com o livro Meu reino, logo após ter se formado em artes plásticas no Instituto Saint-Luc. Seu trabalho de conclusão de curso já havia sido notado, e se tornaria posteriormente o livro Va faire un tour (1995). Apesar de agora ser apreciada pela crítica e pelas crianças, ela teve muitas dificuldades no início da carreira em conquistar os adultos – seu trabalho, que rompia com o que era feito anteriormente, era muito mal compreendido. As coisas estão melhores hoje.


“Eu sempre quis escrever e ilustrar livros para crianças”, costumava dizer. Nascida surda, os livros sempre foram seu refúgio, sua “bolha”, seus amigos para a vida. Ela considera aqueles que cria como se fossem “janelas para o mundo”.


“Eu acho que a força das histórias está em seus silêncios e questões”, diz Kitty. Sempre ligada à infância, ela trata de assuntos sérios como a morte (Moi et rien ou La Visite de la petite mort), o medo do escuro (Scritch Scratch dip clapote!, no qual ela faz uma homenagem à Beatrix Potter), ou ainda a tristeza (Annie du lac). Mas ela também pode construir um pequeno teatro para o pequenos (Alors?) ou se lançar na série Poka et Mine, livros sobre o cotidiano, “sobre os momentos que fazem de cada dia uma vitória”. Os dois insetos-personagens – que não têm boca, mas exprimem tudo pelos olhos – acordam, experimentam novas asas, vão ao museu, ao cinema, ao jardim, e também ao futebol.


Verdadeiras vidas de verdadeiras crianças.


 


*Lucie Cauwe é jornalista no Le Soir, o jornal francófono

mais popular da Bélgica.


Tradução: Anita Silveira


__________


 


Confira o booktrailer do livro Meu reino, de Kitty Crowther, que acaba de ser lançado pela Cosac Naify.


 


Nenhum comentário:

Postar um comentário